João Carvalho, Diretor de Marketing da Prosegur Alarms, considera que a Central Recetora de Alarmes (CRA) da empresa é um data center muito especial. Isto porque, partilhou com o ECOseguros, “recebe sinais de todos os sistemas que temos, espalhados pelas casas e pelos negócios dos nossos clientes“. Protege bens, habitações e negócios através de um processo inteligente. “Os dados são sempre recolhidos, só que nem sempre são tratados. O sistema está sempre a ver o que está a acontecer”, partilhou.
Quando surge uma ocorrência que ative o alarme – intrusão, incêndio, controlo de acessos, videovigilância, ou outros – dados são transmitidos remotamente, por GRP ou IP (wi-fi) e, em função do que é recebido, sinais são enviados para a sala de receção da CRA. Operadores que trabalham ’24×7′ dão resposta à informação recolhida, por ordem de algoritmos que interpretam diferentes graus de urgência.
Nós funcionamos ‘à priori‘ – se alguém tem um sistema de alarme é bonificado pelo facto de o ter”, sublinhou João Carvalho, Diretor de Marketing da Prosegur.
“Somos [uma empresa] aliada das seguradoras. O nosso principal objetivo, quando colocamos sistemas de segurança é mitigar o risco e proteger os conteúdos e os bens que estão dentro das casas. O scoring das seguradoras é melhorado quando estamos presentes. Nós funcionamos à priori – se alguém tem um sistema de alarme é bonificado pelo facto de o ter“, sublinhou João Carvalho.
Na central CRA, situada na Avenida de Berna – um “mini call center”, onde cerca de 60 pessoas estão fechadas, literalmente, numa espécie de caixa-forte – são analisadas ocorrências vindas de todo o país, que chegam a cada agente aleatoriamente.
De acordo com dados qualitativos e quantitativos, os agentes decidem os passos a adotar. O interface humano tem que interpretar “um sistema cego”. O operador só tem acesso aos dados quando o alarme é ativado – que, tem também, muitas falsas ocorrências e pode até ser ativado por deslocações de massas de calor.
Os clientes, através da app, ou os operadores da CRA podem facilmente aceder ao local protegido remotamente e verificar o que está a ocorrer. Para casos mais graves, patrulhas são enviadas ao local. O sistema automaticamente transmite o sinal de ‘sabotagem’, quando os equipamentos são comprometidos.
João Carvalho assegura que todos os procedimentos são ‘compliants’ com a legislação em vigor. Ao final de 30 dias, o sistema apaga os dados. Apenas os clientes em sistema self-service, através das apps, podem guardar os elementos registados. Eventos que ativem ocorrências de alarmística ficam guardados. “O manuseamento não existe sob a forma de data mining – o sistema só funciona com base em algoritmos que estão ligados à alarmística“, garantiu João Carvalho.
O diretor de marketing explicou que “é fácil categorizar os dados recolhidos por freguesia, ou distrito”. As opções de sistema são tantas que podem ser praticamente ‘custom made’ – cada cliente pode desenhar o seu próprio método de proteção, adaptado às suas necessidades específicas.
Quanto a verdadeiras ocorrências – mais prevalentes em Lisboa e Porto, e nos centros urbanos do país – têm, por lei, que ser comunicadas, periodicamente, ao Ministério da Administração Interna. A informação é condensada no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) – bastante extenso, com cerca de 3 centenas de páginas – e que inclui dados de todo o país.
Com a intenção de sensibilizar a população em geral para a importância dos seguros, a conferência “(Des)proteção Sobre Riscos da Natureza”, que decorreu, nesta terça-feira, no Auditório da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), abordou factos científicos, históricos e as ações essenciais para mitigar e prevenir riscos associados catástrofe naturais, cada vez mais prevalentes e intensos em Portugal.
José Galamba de Oliveira, Presidente da APS, foi o responsável pelas boas-vindas, seguido de José Manuel Duarte da Costa, Presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que enfatizou a necessidade de comunicar o risco à população. “Não sabemos quando vai acontecer, mas vai voltar a acontecer”, sublinhou, ao afirmar que “uma sociedade alerta para o risco é uma sociedade ciente dos seus impactos”.
O líder apontou a importância da criação de campanhas de comunicação, quer em contexto escolar, na comunicação social ou em contexto académico, “para mudar mentalidades“, fazendo um paralelismo com a comunicação intensiva utilizada na campanha que promoveu a utilização dos cintos de segurança – “que teve muito sucesso” – ainda nos anos 90.
“Em Portugal, temos vários efeitos das estruturas sociais com tradições difíceis de mudar. O maior impacto das alterações climáticas tem sido sentido no interior do país, em zonas rurais – as sociedades litorais, com um número maior de habitantes, não tem a noção dos impactos”, lamentou.
“O que é importante é termos um quadro preparatório para trabalharmos a questão da prevenção. Quais são os riscos? Quais são as respostas? Qual é a preparação da sociedade?“, indagou o especialista em proteção civil. “Para além do planeamento e prevenção é precisa uma unidade de esforços. Sou adepto de uma abordagem compreensiva e multisectorial. Todos temos que trabalhar para o mesmo fim”. Duarte da Costa concluiu: “quando desenhamos modalidades de ação, respondemos à mais provável, mas temos de acautelar sempre a mais perigosa”.
Urge criar um sistema de cobertura de risco sísmico
“O risco sísmico corresponde à catástrofe natural de danos potencialmente mais significativos em Portugal” e “historicamente já foi presenciado um sismo em Lisboa, com consequências catastróficas“, foram algumas das razões apresentadas por Gonçalo Vieira da Luz, Professor de Finanças Empresariais na Universidade Nova SBE, para a urgência de implementação de um sistema de cobertura de risco sísmico em Portugal.
O académico abordou o protection gap referente a riscos da natureza e apontou a tendência crescente, tanto na frequência como na gravidade, de ocorrências catastróficas resultantes de eventos climáticos nas últimas décadas.
“As seguradoras suportaram cerca de 715 milhões de euros em indemnizações relativas às principais catástrofes naturais entre 2009 e 2019, com destaque para os anos 2010 (Tempestade na Madeira), 2013 (Temporal no continente), 2017 (Incêndios) e 2018 (Tempestade Leslie)”, apontou o professor. “Em 2007, estimava-se que 92% dos fogos habitacionais não tivessem qualquer seguro contra sismos em termos estruturais, o que é preocupante, atendendo ao risco sísmico em Portugal”, apontou Vieira da Luz.
“Há pelo menos 11 países com sistemas nacionais de seguro contra riscos de catástrofe natural, que cobrem explicitamente riscos sísmicos”, referindo-se, por exemplo, à Dinamarca, Espanha, França, Islândia, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Reino Unido, Suíça, Turquia ou EUA”.
Todas as economias dependem dos recursos naturais
Helena Freitas, Diretora do Parque de Serralves e Professora Catedrática na área da Biodiversidade e Ecologia na Universidade de Coimbra, lembrou os números que provam o aumento da temperatura planetária e apontou consequências, como o efeito estufa.
A líder afirmou: “estamos reféns de meia dúzia de interesses que não podem pôr em causa a maioria de nós“. E sublinhou que é essencial descarbonizar. “Nós somos todos seres vivos. Não estamos no topo da pirâmide. Se se tal for verdade, temos a responsabilidade de manter o sistema vivo”. E acrescentou: “somos uma pecinha de um sistema que vive há muitos anos”.
A diretora assinalou que todas as economias dependem dos recursos naturais, mas que quando promovemos o sequestro de carbono devemos estar atentos para o fenómeno do greenwashing, ou seja, quando as empresas se apropriam de uma narrativa sustentável para fins comerciais. Mas, acima de tudo, é importante “garantir que não perdemos solos, biodiversidade e que protegemos as florestas tropicais”.
Pedro Garrett, cofundador da 2adapt, empresa serviços de adaptação climática, consegue prever onde e quando irão surgir inundações e com que intensidade.
Prever riscos com TI
Pedro Garrett, cofundador da 2adapt, empresa serviços de adaptação climática, prevê, em algumas ocasiões, inundações com três dias de antecedência. “E, se pudéssemos olhar para o passado e para o futuro, e calcular com 3 dias de antecedência antes do risco acontecer?”
A sua empresa de TI é capaz de, a cada hora, recalcular riscos, e, com 3 dias de estudos consegue reunir informação que aponta com precisão onde, quando e com que intensidade irá surgir uma inundação. Esta informação demonstrou-se uma mais-valia para instituições que prestaram apoio e suporte, bem como salvamentos, em situações críticas. “Como cidadãos, somos também agentes de monitorização de riscos”, apontou.
Preparação para o grande incêndio
Domingos Xavier Viegas, Presidente da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial e Diretor do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais afirmou que “existe a expectativa que as seguradoras se envolvam [nos riscos naturais] de forma mais profunda“.
O professor defende a existência de “um seguro que fosse partilhado entre pessoas e Estado“, e faz um alerta: “um incêndio como o de Pedrógão Grande pode vir a acontecer. Vamos preparar-nos para o grande incêndio. Cada país tem de se preparar para o seu”. A seu ver, a partilha de responsabilidades é solução, mas lamenta não haver quaisquer incentivos em Portugal. Pede a intervenção das seguradoras para “motivar”.
Edifícios sismoresistentes também vão sofrer danos
Já Luís Guerreiro, Professor Associado do Departamento de Engenharia Civil, Arquitectura e Georrecursos do Instituto Superior Técnico, da Universidade Técnica de Lisboa acredita que “o problema é a falta de controlo de qualidade“. Porque as informações são claras e “o conhecimento existe”. Lembra que, na área em que exerce, “a ideia é que os edifícios fiquem de pé, e que as pessoas possam sair em segurança. Os edifícios terão certamente danos” no caso de um sismo forte em Portugal.
“A cobertura de seguros é baixíssima“, repetiu o engenheiro, que também defende a “necessidade de alertar a sociedade”. Deixou um desafio para o setor segurador: para que se torne mais barato segurar um edificio bem feito do que um edifício mal feito“.
O relatório World Property and Casualty Insurance Report, elaborado pela empresa Capgemini, e publicado em colaboração com a fintech Qorus, revela um futuro em que as seguradoras terão de evoluir das ofertas tradicionais de seguro automóvel para a “proteção da mobilidade”, à medida que consumidores urbanos adotam novas soluções de mobilidade, que incluem opções multimodais autónomas, conectadas, elétricas e partilhadas (ACES).
“Para fazer uma transição bem-sucedida para esta nova era de mobilidade, as seguradoras precisam de alavancar a sua experiência em gestão de riscos e fazer parcerias com especialistas como InsurTechs e BigTechs no ecossistema para proteção em toda a jornada de consumidor”, afirma Kiran Boosam, líder global do setor dos seguros da Capgemini.
De acordo com o relatório, os consumidores e os reguladores estão orientados para a sustentabilidade, uma vez que os tomadores de seguros em todo o mundo indicam um interesse acrescido em veículos conectados e movidos a energias alternativas (66%) e a veículos autónomos (49%).
Embora os consumidores não estejam dispostos a substituir os seus veículos pessoais a curto prazo, existe um desejo crescente de aproveitar novas opções de mobilidade. O estudo demonstra que a adoção de micro-mobilidade, veículos partilhados e soluções de transporte multimodais entre os clientes urbanos duplicará dos atuais 29% para 58% em 2025. O relatório conclui ainda que esta mudança de comportamento dos clientes deverá fazer com que os prémios para os veículos ACES aumentem oito vezes, passando de 70 mil milhões de dólares para 570 mil milhões de dólares até 2030.
O relatório afirma que, à luz desta revolução da mobilidade, as seguradoras enfrentam desafios significativos para cobrir deslocações. Cerca de 63% das seguradoras estão preocupadas com a adequação das suas capacidades tecnológicas e 45% com a evolução das expectativas dos clientes.
Kiran Boosam, líder global do setor dos seguros da Capgemini, afirma: “o setor da mobilidade está à beira de uma transformação significativa. Para fazer uma transição bem-sucedida para esta nova era de mobilidade, as seguradoras precisam de alavancar a sua experiência em gestão de riscos e fazer parcerias com especialistas como InsurTechs e BigTechs no ecossistema para proteção em toda a jornada de consumidor. As organizações que testem propostas de valor de mobilidade de alto potencial e dimensionam soluções de mobilidade por meio de plataformas de seguro conectadas se posicionarão para relevância e crescimento sustentados”.
Modelos de negócio inovadores
Esta nova vaga de mobilidade exigirá que os transportadores deixem de segurar os ativos e passem a proteger as viagens de mobilidade, o que cria novos modelos de negócio centrados na personalização. 42% dos tomadores de seguros querem uma apólice única que os cubra independentemente do seu modo de transporte, quer estejam a conduzir um automóvel ou a utilizar um serviço de partilha de boleias.
No entanto, o estudo afirma que as seguradoras não estão, atualmente, equipadas para responder às expectativas dos tomadores de seguros. Menos de um terço das companhias de seguros (29%) referiu ter as capacidades necessárias para o desenvolvimento de produtos e ainda menos (26%) afirmou ter o talento certo para oferecer soluções de mobilidade centradas no cliente.
Com a mobilidade ACES a ganhar escala, os modelos de seguros integrados estão a tornar-se cada vez mais populares, suscitando incertezas de para as transportadoras em toda a cadeia de valor, incluindo a distribuição, a subscrição e a gestão de sinistros, refere o relatório. Uma forma de navegar na tendência do ACES é criar um ecossistema de mobilidade que ofereça seguros de subscrição modulares para satisfazer as expectativas dos clientes relativamente a uma cobertura sem descontinuidades, ao mesmo tempo que fornece serviços diferenciados e de valor acrescentado. No entanto, apenas 21% das seguradoras afirmam ter parcerias avançadas com ecossistemas para satisfazer estas necessidades dos consumidores.
O Relatório Mundial sobre Seguros de Propriedade e Acidentes de 2023 obtém dados de duas fontes principais: o Inquérito Global sobre a Voz do Cliente de Seguros de 2023 e as Entrevistas Globais com Executivos de Seguros de 2023. Este estudo primário abrange informações de 22 mercados: Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Dinamarca, França, Alemanha, Hong Kong, Índia, Itália, Japão, Malásia, México, Países Baixos, Noruega, Portugal, Singapura, Espanha, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos.
A utilização de inteligência artificial (IA) desempenha um papel cada vez mais importante no setor dos seguros. Especialmente no processamento de sinistros, os sistemas apoiados em IA ajudam a simplificar e a acelerar significativamente as atividades. Quando questionado sobre a sua contribuição para o setor dos seguros, o ChatGPT responde:
Prestar serviço automatizado ao cliente através de chatbots, responder a perguntas frequentes e fornecer informações sobre apólices e reclamações;
Ajudar subscritores a analisar grandes quantidades de dados não estruturados, como referências de clientes, publicações nas redes sociais e artigos noticiosos, para identificar potenciais riscos e informar decisões de subscrição;
Processamento de grandes quantidades de dados de texto, tais como pedidos e aplicações, para identificar padrões e anomalias que possam indicar atividade fraudulenta;
Geração de conteúdos tais como resumos de apólices, explicações de cobertura e comunicações aos clientes;
Possibilitar um serviço ao cliente multilingue, traduzindo as perguntas dos clientes e respondendo na língua preferida pelos clientes.
A IA generativa está preparada para revolucionar vários tipos de seguros. Com base no impacto da tecnologia nos E.U.A., estudos concluem que o seguro de propriedade e de acidentes será o mais transformado e o seguro de saúde será o segundo mais influenciado pela tecnologia. Prevê-se que o seguro de vida seja menos impactado pela IA generativa, especialmente a curto prazo.
Uma das preocupações é que empresas que utilizem ferramentas de inteligência artificial como ChatGPT possam pôr em risco informações confidenciais de clientes e segredos comerciais, segundo refere estudo da Team8.
Ao longo dos próximos três anos, haverá muitos casos promissores de utilização de IA generativa. Os mais valiosos e viáveis serão campanhas de marketing personalizadas, chatbots voltados para os funcionários, prevenção de pedidos, automatização de pedidos, desenvolvimento de produtos, deteção de fraudes e chatbots orientados para os clientes.
Embora o crescimento da IA generativa tenha sido súbito, levará tempo para as seguradoras abraçarem plenamente o seu poder e potencial. Nesta segunda-feira, vários cientistas escreveram, numa carta aberta, que “aplicações de IA como o Chat GPT não devem ser desenvolvidas”. A Itália bloqueou a utilização do ChatGPT.
Uma das preocupações é que empresas que utilizem ferramentas de inteligência artificial possam pôr em risco informações confidenciais de clientes e segredos comerciais, de acordo com um relatório da Team8, uma empresa de empreendimentos sediada em Israel.
A adoção generalizada de novos chatbots AI e ferramentas de escrita poderia deixar as empresas vulneráveis a fugas de dados e processos judiciais, disse o relatório, que foi fornecido à Bloomberg News ainda antes do seu lançamento. O receio é que os chatbots possam ser explorados por hackers para aceder a informações empresariais sensíveis ou executarem ações contra a empresa. Há também receios de que a informação confidencial introduzida agora nos chatbots possa ser utilizada por empresas de IA no futuro.
As principais empresas tecnológicas, incluindo Microsoft Corp. e Alphabet Inc. competem para adicionar capacidades generativas de IA que melhorarem chatbots e motores de busca, treinando modelos com dados retirados da Internet para dar aos utilizadores um one-stop-shop às suas consultas.Se as ferramentas forem alimentadas com dados confidenciais ou privados, será muito difícil apagar a informação, alerta o relatório.
Stephen Voss, co-fundador da empresa insurtech alemã Neodigital, adverte na publicação alemã Handelsblatt, que os criminosos também utilizarão cada vez mais a IA: “as novas possibilidades em torno do ChatGPT também conduzirão a um aumento da fraude“.
Em contraste com programas de chat anteriores, baseados em IA, o ChatGPT da empresa OpenAI, cria conteúdos muito similares aos humanos. E mesmo que os conteúdos gerados contenham ainda muitas informações incorretas, avanços da tecnologia são possíveis. Os infratores podem agora, cada vez mais facilmente, descrever sinistros e incluir imagens alteradas: “quanto melhor for a IA, mais difícil será para os reguladores de sinistros de seguros reconhecer estes casos como fraude“, alerta o co-fundador da insurtech.
Sistemas de IA reconhecem padrões duvidosos
“Temos de proteger os nossos segurados de tentativas de fraude criminosa“, continua Voss à publicação alemã. “Pagamentos de sinistros mais elevados acabam também por conduzir a prémios de seguro mais altos“.
Porém, as seguradoras vêm grandes oportunidades na IA na prevenção da fraude. Os sistemas de IA podem detetar padrões duvidosos de pedidos ou discrepâncias em fotografias associadas. De acordo com Voss, danos a vidros, por exemplo, podem ser posteriormente inseridos profissionalmente. A fim de detetar de forma fiável tais tentativas de fraude, a IA deve ser constantemente treinada.
Mas várias seguradoras estão a abraçar a tecnologia. A Helvetia declarou-se a primeira companhia de seguros do mundo a lançar um serviço de contacto direto com o cliente com base na tecnologia ChatGPT da OpenAI. O serviço utiliza IA para responder às perguntas dos clientes sobre seguros e pensões. O serviço é ainda experimental; a longo prazo, deverá simplificar o acesso a soluções de seguros personalizadas.
Wolfgang Hauner está a par de dois desenvolvimentos gerais. Ele é Chefe do Grupo de Análise de Dados no Grupo Allianz. A utilização de ferramentas de machine learningvai determinar a forma como a seguradora europeia trabalha internamente e como interage com os clientes. “Veremos rapidamente melhorias em ambas as dimensões”, diz ele ao jornal Frankfuerter Allgemeine.
A Allianz não vê a IA como um substituto dos colaboradores, mas como uma forma de tornar o seu trabalho mais eficiente e mais personalizado. “Os documentos são, evidentemente, cruzados por humanos antes da entrega aos clientes.As soluções de IA serão brevemente implementadas em grande escala – tal como aconteceu com a introdução de smartphones“, garante.
Na Allianz, também são utilizados processos de IA para identificar transações suspeitas de serem fraudulentas e submetê-las a peritos para análise mais aprofundada. “Estamos confiantes de que, no futuro, seremos capazes de reconhecer mensagens escritas com tecnologia AI com os nossos programas de verificação”, salienta Daniel Didt, Chefe da Defesa contra a Fraude na Allianz Versicherungs AG.
A Zurich confia nas possibilidades da IA na sua luta contra a fraude. “Os grandes modelos linguísticos como o ChatGPT tornam possível gerar facilmente textos. No setor dos seguros, deve ser feita uma distinção de acordo com o produto e o cenário do seguro. Dependendo do ramo de atividade, os pareceres oficiais de peritos ou documentos médicos já são utilizados hoje em dia. Aqui, um modelo linguístico generativo ou uma imagem gerada artificialmente não altera os factos, uma vez que são efetuados controlos intensivos e os documentos são frequentemente aceites apenas por organismos oficiais”, salienta Michael Zimmer, Chefe da AI & Machine Learning e Chief Data Officer, Grupo Zurich Alemanha.
A Ergo faz uma declaração semelhante à publicação VWheute: “globalmente, modelos Linguísticos (LLMs) como o GPT-3, no qual o ChatGPT se baseia, deram um enorme salto tecnológico nos últimos anos. Em perspetiva, terão um impacto notável nas nossas vidas. Isto já está a acontecer com a integração de aplicações, tais como motores de busca. É evidente que com novos passos tecnológicos, os riscos subjacentes estão também a evoluir. Isto inclui o facto de a tecnologia ser fundamentalmente utilizada para fins injustos. Este risco existe, independentemente da tecnologia específica e não se limita exclusivamente ChatGPT“.
E mesmo que as diferentes perspetivas sobre a IA no setor segurador soem tentadoras ou preocupantes, são percebidas de formas distintas pelos clientes: “influenciam a experiência do cliente de forma positiva ou negativa, o que por sua vez pode ter implicações para a confiança destes”, demonstra um estudo empírico na Universidade de St. Gallen. “O consultor de seguros tradicional, no entanto, ainda parece ser um fator de confiança relevante para os clientes de seguros”, indica o relatório.
O presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), José Galamba de Oliveira, alertou os presentes na Fintech House, nesta terça-feira, para a crescente complexidade da regulação no setor segurador em Portugal: “é um número enorme de regulamentos”, assinalou. “Está a aumentar e não se prevê uma mudança nos próximos anos”.
O painel que juntou o CEO e Co-Founder da Habit, Domingos Bruges, a CEO e Fundadora da Jove Insurance, Amanda Cai, o CEO e Co-Founder da Uthere, João Pedro Madureira, e contou com a moderação do Presidente da APS, José Galamba de Oliveira, analisou as motivações que impulsionam o crescimento das RegTech.
Segundo o líder da APS, a multiplicação de regulamentos representa um “peso extra” nos negócios de soluções do setor segurador na União Europeia, especialmente em Portugal, onde “há mais requisitos“, o que resulta numa pressão acrescida nos negócios. A associação está preocupada com os custos, mas inspirada pelas novas tecnologias reguladoras. “A RegTech está no centro da solução”, assegurou o presidente.
“A maior parte [da regulamentação] vem da Europa, mas não só. Muitas normas são internacionais”, disse. “Temos de ter muito cuidado. As multas são realmente elevadas”. Noutras geografias, como é o caso dos E.U.A. ou do Reino Unido “as regras não são tão estritas”, apontou.
‘Desafios regulamentares para encontrar novos canais de distribuição de seguros’ foi o tema do painel apresentado no contexto da RegTech Conf 2023, que juntou o presidente da APS – como speaker e moderador -, a CEO e Fundadora da Jove Insurance Amanda Cai, o CEO e Co-Founder da Uthere, João Pedro Madureira e o CEO e Co-Founder da Habit, Domingos Bruges.
Segundo a apresentação elaborada pela APS, o investimento em soluções RegTech é cada vez menos visto pelas empresas como uma “obrigação a fim de obter negócio” e mais como um facilitador das operações, com vista a melhorar a customer experiencee, ao mesmo tempo, mitigar riscos e reduzir custos. Mas os desafios são muitos: quadros regulamentares complexos e por vezes inconsistentes, questões de cibersegurança e sistemas herdados e enraizados culturalmente, difíceis de alterar.
A procura de soluções que respondam à complexidade crescente de novos regulamentos deu origem a uma nova área de tecnologia financeira em rápido crescimento: o setor da tecnologia reguladora, ou RegTech. A dimensão do seu mercado global deverá crescer de 5,46 mil milhões de dólares em 2019 para 28,33 mil milhões de dólares até 2027, com despesas estimadas em mais de 50% dos orçamentos globais de conformidade até 2026.
Trazer mais transparência e inovação digital a uma indústria onde as informações eram transmitidas de forma mais vagarosa e, por vezes, com espaço para falhas, é a promessa da RegTech, com o argumento que permite a empresas do setor segurador aceder facilmente a dados de due dilligence e trocar contratos simultaneamente. O sistema, em constante evolução, fornece informações e análises para ajudar seguradoras a tomar decisões importantes e informadas,reduzindo o risco e tornando o setor mais rápido, inteligente e previsível. De acordo com o relatório da Global City 2021 RegTech, quase dois terços das empresas RegTech registaram um crescimento das vendas, isto em 2020.
Os próprios reguladores e supervisores aumentaram a sua participação em vários projetos RegTech. Na sequência de um projeto-piloto de relatórios regulamentares digitais, o Banco de Inglaterra e a Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido estão a executar um plano estratégico de Recolha de Dados de Transformação (TDC). A prova de conceito do MRER (Machine Readable and Execution Reporting Requirements) da Comissão Europeia está a levar a recomendações acionáveis às várias Autoridades de Supervisão Europeias. Estes tipos de iniciativas demonstram o impacto das RegTech no mundo real, inspirando a adoção das soluções por parte da indústria.
No painel que teve lugar na Fintech House, abordou-se o assunto da elaboração de relatórios regulamentares, uma área de conformidade complexa e dispendiosa. O Banco de Inglaterra estima que esta custe aos bancos britânicos um mínimo de 2-4,5 mil milhões de libras por ano. As empresas que elaboram relatórios enfrentam uma série de requisitos de dados sobrepostos, muitas vezes ambíguos e em constante mudança entre jurisdições. Para cada regime de apresentação de relatórios, as empresas têm, frequentemente, de examinar centenas de páginas de texto legal, que devem interpretar manualmente e codificar nos seus sistemas informáticos.
Em vez de cada empresa interpretar individualmente as regras, soluções RegTech permitem aos utilizadores colaborar, desenvolver uma interpretação padronizada dos regulamentos e armazená-la num formato abertamente acessível como código legível por pessoas e código executável por computadores. Desta forma, as soluções RegTech ajudam a mitigar qualquer divergência entre jurisdições. A colaboração funciona porque não há vantagem competitiva na elaboração de relatórios diferentes. A utilização de uma interpretação normalizada reduz o risco de incumprimento.
Mas mais de 10% das instituições regulamentadas apontam os “complexos processos de adoção” como um entrave. Fornecedores e instituições financeiras estão focados em encontrar formas de assegurar que as empresas possuem infraestruturas adequadas para integrar a RegTech nos seus sistemas operacionais.
Como Domingos Bruges apontou, “as InsurTech não pretendem substituir os seguros tradicionais. O objetivo [das novas soluções] passa por testar os limites das práticas estabelecidas e ajudar a melhorá-las com o apoio das tecnologias”.
A inteligência artificial (IA) e os programas informáticos de avaliação de informação de última geração permitem que os subscritores prevejam fatores como o clima, desastres naturais e até mesmo a probabilidade de desenvolvimento de patologias. Conhecimentos que, antes, “só Deus sabia”, diz o presidente da Sompo, uma das maiores seguradoras japonesas.
Mikio Okomura, chefe da empresa japonesa Sompo Holdings: “Vamos incentivar os nossos clientes a mudarem de comportamentos em relação à saúde, e tal solução pode ser aplicada aos seguros de saúde de indivíduos que ainda estão em idade ativa”.
A afirmação de Mikio Okumura, chefe da Sompo Holdings, surgiu enquanto a companhia anunciava o lançamento, no Japão, de um pacote de seguros de saúde focados no risco de demência. O produto, feito à medida, baseia-se na avaliação de informações clínicas, como batimentos cardíacos, necessidades alimentares e padrões de sono, captada a partir de dados de centenas de residentes em casas de repouso associadas à Sompo.
As declarações surgem após um investimento de 500 milhões de dólares da Sompo na Palantir, uma empresa americana especialista na avaliação de grandes quantidades de informação, ou ‘big data’, e depois do anúncio da participação de 22% na startup japonesa de AI, Abeja. “Poderemos agora analisar factores que, no passado, só Deus sabia, graças à tecnologia, incluindo a IA”, mencionou Okumura, ao apresentar um plano de seguros que não só compensa os clientes adequadamente se sofrerem de demência, mas que encoraja o atraso do aparecimento da doença, através do incentivo de mudanças de comportamento.
A Sompo utiliza cerca de 500 unidades de informação obtidas a partir de dados de 80 mil residentes dos seus lares de idosos, um negócio em que a companhia apostou em 2015, e que impulsionam a criação de coberturas de seguros preventivos que prometem a adaptação ao estilo de vida e hábitos de cada utente.
Em 2020, estimava-se que 6,3 milhões de indivíduos sofressem de demência no Japão, e a estimativa é suscetível de atingir os 11 milhões até 2060, ou seja, pelo menos, um em três habitantes idosos, segundo estatísticas do governo japonês.
A experiência com a Palantir foi anunciada como uma forma de criar modelos que permitissem aconselhar melhorias nos planos de cuidados de saúde para cada residente dos lares. Mikio Okumura espera que os dados possam agora servir também a sua principal seguradora, permitindo à empresa desenvolver uma oferta de seguros que “evite riscos”.
“Vamos incentivar os nossos clientes a mudarem de comportamentos em relação à saúde, e tal solução poderia também ser aplicada aos seguros de saúde dos indivíduos que ainda estão em idade ativa“, sugeriu Okumura. “Se os segurados conseguirem retardar os sintomas de demência [por dois ou três anos], poderemos oferecer-lhes coberturas de seguro mais vantajosas”.
O líder explicou: “isto reduzirá os encargos para as famílias que os apoiam, prolongará a esperança de vida saudável dos clientes e diminuirá os encargos da seguradora. Como resultado, o sistema de segurança social tornar-se-á mais sustentável“, acrescentou Okomura.
A Sompo, em conjunto com diferentes seguradoras, está aberta a utilizar ferramentas cada vez mais eficazes para substituir os modelos das empresas de seguros num “mundo cada vez mais afetado pelos resultados das alterações climáticas”. Isto, numa altura em que as seguradoras, globalmente, têm enfrentado aumentos abruptos nos encargos relacionados a catástrofes naturais.
O metaverso “é visto, a curto prazo, como um ambiente com potencial para posicionamento de marca e realização de ações publicitárias mais inovadoras e apelativas”, admite Andrés Duque Bavariano, Diretor de Serviços Financeiros da Minsait. No entanto, “a médio e longo prazo, estes objetivos serão alargados a mais áreas, tornando-se um canal de vendas que faz parte da estratégia interna e permite atingir mais públicos”, conclui.
As declarações surgem após a divulgação do estudo “Insurance Metaverse: Novas Realidades, Novas Oportunidades”, que analisa os desafios colocados às seguradoras pelo ambiente virtual do metaverso. O estudo foi realizado pela Minsait, empresa da Indra, especialista em transformação digital e tecnologias de informação, e desenvolvido em conjunto com a Investigación Cooperativa entre Entidades Aseguradoras y Fondos de Pensiones (ICEA), associação sem fins lucrativos que reúne uma grande parte das companhias de seguros espanholas e dedica-se à investigação, estudos estatísticos, formação e consultoria aplicada à atividade dos seguros.
Andrés Duque Bavariano, Diretor de Serviços Financeiros da Minsait: “a médio e longo prazo será um canal de vendas que faz parte da estratégia interna e permite atingir mais públicos”.
O metaverso, iconizado pelos óculos que permitem as sensações desse universo, define-se pelo uso de ativos como avatars, modelos 3D, ambientes espaciais próprios e realidade híbrida. Estes ativos irão trabalhar com metadata para criar perfis pessoais e de negócios que depois habitarão no metaverso. Entre seguradoras, a pioneira foi a coreana Heungkuk Life Insurance, que permitiu visitar uma loja virtual. Entre os riscos, a próxima fronteira será segurar propriedades virtuais e pior, como calcular risco e definir valor para o que não existe fisicamente.
Os desafios colocados às seguradoras quando aderem ao metaverso, as ferramentas que facilitarão a sua rentabilidade, bem como os possíveis desafios envolvidos no crescimento no metaverso e na garantia da sua convergência com o mundo real, foram algumas das questões estudadas pela ICEA e Minsait.
A Minsait acredita no impacto positivo do metaverso no setor dos seguros, que irá consistir, diz a empresa, em comunicado, num “ambiente virtual onde as seguradoras poderão encontrar novos canais de interação com os seus profissionais e segurados e encorajar a sua atividade empresarial”.
De acordo com o relatório, 3 em cada 5 empresas ainda não realizaram qualquer planeamento relacionado com ambientes virtuais e apenas uma empresa da amostra analisada passou a esta fase.
O estudo conta com a participação de 64 entidades presentes no mercado espanhol, representando uma quota de mercado de cerca de 70% do volume de prémios no setor dos seguros que, em 2021, ascendeu a 61.831 milhões de euros, de acordo com as estimativas da ICEA.
Também o “Tech Trend Radar 2022” o radar de tendências da Munich Re para este ano, lista o metaverso como uma das principais temáticas dentro da área da “hiperconexão”, e, ao analisar oportunidades e riscos, aconselha os leitores a avaliar esta tendência mais de perto para a sua empresa: “o metaverso pode abrir várias oportunidades de negócio. Pode também tornar-se um lugar de interação entre clientes e equipas, à medida que as reuniões físicas se tornam menos frequentes. As empresas devem agora examinar as possíveis aplicações”.
De acordo com Andrés Duque Bavariano, “é importante analisar o impacto (do metaverso) nos produtos e processos. Aspetos como a propriedade privada dentro do metaverso, a transferência de valor para o plano digital sob a forma de criptoativos e NFTs (non-fungible tokens), a nova responsabilidade civil ou os modelos de relação com o cliente proporcionarão uma adaptação da oferta e da própria gestão do negócio que as companhias de seguros terão de começar a abordar”.
Segundo André Duque, para alcançar uma evolução real (e rentável) no metaverso, a chave, mais uma vez, reside na inovação tecnológica. Segundo ele, “as companhias de seguros já estão conscientes e compreendem o impacto que os avanços da realidade virtual e aumentada (VR/AR) terão como forma otimizada de se relacionarem com este ambiente, o 5G/6G como potenciador de ligações e relações em tempo real, e as tecnologias como a inteligência artificial (IA), cujo impacto será notável a todos os níveis”.
O especialista menciona que outras evoluções digitais como ablockchain têm grande potencial para permitir modelos seguros e fiáveis de transferência de valor ou economias digitais descentralizadas em mundos virtuais.
Questões como a falta de conhecimento dos novos modelos de negócio a implementar, a falta de prioridade que estas iniciativas têm entre as equipas de gestão, a imaturidade das empresas em matéria de tecnologia e segurança ou a ausência de pessoal com conhecimento especializado são algumas das causas.
“É importante encontrar parceiros e estabelecer alianças para o futuro que ajudem a definir uma estratégia alinhada com as necessidades do negócio”, diz Andrés Duque. A aposta em novos perfis profissionais com conhecimentos técnicos e orientados para este campo, ou a implementação de estratégias de negócio que possibilitem uma ação mais estratégica, serão aspetos chave a serem desenvolvidos a médio prazo.
A responsabilidade civil, a evolução das regulamentações para assegurar a privacidade e a segurança da informação, e a utilização da própria legislação não só identificam riscos alternativos, como são, em si mesmas, grandes oportunidades para o setor dos seguros.
Embora os planeamentos sejam iniciais e ainda existam medidas que desencorajam as empresas, tais como o ambiente regulatório imaturo e a regulamentação dos dados, a verdade é que, segundo o estudo, “os benefícios se materializarão à medida que os projetos e iniciativas avançarem. O facto de poder aceder a novos segmentos de clientes, a sua fidelização e atrair talentos inovadores são apenas alguns dos benefícios mais imediatos. A médio e longo prazo, irá gerar diretamente linhas de negócio alternativas“, prevê Andrés Duque.
A ICEA, que conduziu o estudo, é uma associação sem fins lucrativos que reúne uma grande parte das companhias de seguros espanholas e dedica-se à investigação, estudos estatísticos, formação e consultoria aplicada à atividade dos seguros.
Os seguros de saúde KeepWells, projeto focado em “democratizar os seguros de saúde” através de preços competitivos “que não existem emPortugal”, foram apresentados, esta terça-feira, por Miguel Águas, administrador MC Sonae, José Pedro Inácio, CEO Advance Care e Pedro Carvalho, do Grupo Generali. A aposta visa ser complementar ao Sistema Nacional de Saúde (SNS) e engloba a promoção de estilos de vida saudáveis (através de descontos e parcerias).
Pedro Carvalho, CEO do Grupo Generali, José Pedro Inácio, CEO da AdvanceCare e Miguel Águas, administrador MC Sonae lideram o projeto de novos seguros de saúde acessíveis KeepWells.
“Pretendemos chegar a todos os portugueses e temos a ambição de abranger 1 milhão de clientes nos primeiros 5 anos. Criámos o seguro de saúde mais democrático do mercado (Keep Simples) ao preço especial de lançamento de 7,50 euros por mês, para qualquer idade e sem exclusões, para chegarmos a todos os portugueses, inclusive às faixas etárias mais elevadas”, disse Miguel Águas.
“É com enorme entusiasmo que a AdvanceCare renova o apoio à MC (Sonae) nesta ambição de democratizar o mercado, colocando à disposição da parceria todos os nossos ativos e know-how, quer seja o conhecimento dos clientes e das ofertas, assim como a vasta rede de prestadores”, refere José Pedro Inácio, CEO da AdvanceCare.
Pedro Carvalho, do Grupo Generali, destacou o empenho e o interesse da seguradora – que está em Portugal há 70 anos – no projeto KeepWells. A companhia de seguros e gestão de ativos, presente em 50 países, e que contou 67 milhões de clientes e 75,8 mil milhões de euros em receitas, em 2021, acredita que “este projeto em nada colide com a oferta atual, presente do mercado”, disse Pedro Carvalho.
“Agora sim, tenho seguro de saúde” é o mote da campanha de lançamento através a KeepWells se quer destacar no mercado. A campanha pretende inovar e desmistificar o setor, “com uma linguagem simples e clara”. Da responsabilidade da agência LOLA Normajean, está disponível a partir de 6 de setembro, com presença multimeios.
Preços acessíveis para popularizar os seguros de saúde
A KeepWells oferece três seguros de saúde: Keep Simples, Keep Mais e Keep Top. O Keep Simples é o seguro principal do lançamento, com um preço de lançamento de 7,50 euros por mês (até ao final de 2022), valor normal provável de 9,99 euros, e acessível a todas as idades, sem exclusões ou períodos de carência. Oferece consultas de especialidade a 25 euros e opção de médico em casa ou online ilimitada, e sem custos adicionais. Os seguros Keep Mais e Keep Top incluem todas as vantagens do Keep Simples e ainda cobertura de hospitalização, cirurgia e parto até 50 mil euros. O Keep Zero é um plano de saúde gratuito associado ao Cartão Continente. Todos os seguros da KeepWells dão ainda acesso a descontos em medicina dentária e acumulam descontos.
O programa KeepWells abrange mais de 23 mil médicos, clínicas e hospitais, incluindo os principais grupos privados portugueses, na que é considerada uma “grande oportunidade de crescimento no mercado de seguros de saúde em Portugal”. Segundo a Sonae MC, o setor apresenta um crescimento significativo, mas ainda tem espaço para aumento, sendo que em Portugal a taxa de penetração dos seguros de saúde, apesar de ter superado os mil milhões de euros em 2021 em percentagem é de apenas 0,5%, quando estudos internos apuraram que mais de 50% dos portugueses queriam ter um seguro de saúde.
A saúde e o bem-estar têm sido uma aposta para a MC Sonae na última década. Em 2010, foi lançada a Wells; em 2016, o plano de saúde da marca; um ano depois, o Dr. Weels, e agora a novidade são os seguros de saúde acessíveis.
Sérgio Carvalho, Diretor de Marketing da Fidelidade, aposta em campanhas direcionadas a faixas etárias mais jovens e digitais.
Para reforçar o posicionamento estratégico junto das gerações mais novas, a Fidelidade lançou uma campanha sob a hashtag #AMúsicaNãoPára, que aposta na ativação de ações de marca no festival Vodafone Paredes de Coura, centrada no produto Fidelidade Pets.
Segundo Sérgio Carvalho, Diretor de Marketing da Fidelidade, “A presença no festival decorre da estratégia de inovação, sustentabilidade e aproximação de marca ao público jovem, a quem pretendemos proporcionar uma experiência única”.
Com o objetivo de promover o contacto direto com o público serão implementadas ações de ativação no stand, a presença de embaixadores de marca, como a apresentadora Isabel Silva, clientes, colaboradores e rede de mediadores da companhia.
Em comunicado, a Fidelidade anuncia ainda que irá desenvolver uma “forte campanha nas redes sociais” ao longo dos dias do festival, entre 16 a 20 de agosto.
Em 2018, a seguradora lançou no mercado nacional o produto Fidelidade Pets, destinado a preservar a saúde e bem-estar de cães e gatos domésticos, com enfoque na prevenção, e assente na “digitalização integral de processos, e em que a contratação e tramitação de sinistros são peças chave”.
Entre as coberturas oferecidas destacam-se check-up periódico gratuito e esterilização preventiva, compensação por acidente e doença, responsabilidade civil para animais de companhia potencialmente perigosos, defesa jurídica, assistência e entrega de remédios ao domicílio e linha de apoio para consultas veterinárias, além de vacinas, odontologia e outros.
Recentemente, Sérgio Carvalho explicou na imprensa que “a campanha de comunicação pretende reforçar o nosso posicionamento neste segmento de mercado, tendo como ambição que o Fidelidade Pets seja reconhecido como a solução de referência por todos os que têm cães e gatos. Desenvolvemos uma campanha descontraída, jovem e divertida, com o objetivo de despertar a atenção de todos, muito concretamente do público mais jovem, com presença constante nos meios digitais, e potenciando o goodwill que o produto acrescenta“.
Um inquérito revelado pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS), indica que as companhias estimam pagar indemnizações de oito milhões de euros relativas aos incêndios ocorridos em julho.
As conclusões do inquérito aos associados, divulgadas esta terça-feira em comunicado da APS, indicam ainda que Leiria foi o distrito com mais sinistros participados, mas os que envolvem maiores prejuízos foram participados nos distritos de Faro e de Aveiro.
“A situação que o país atravessou recentemente, e a frequência cada vez maior dos eventos climáticos que estão na sua origem, reforçam a importância do seguro enquanto elemento de mitigação das perdas sofridas e fator de estabilidade da vida das pessoas e das empresas”, afirma o presidente da APS, José Galamba de Oliveira, no comunicado.
Segundo o Swiss Re Institute, as catástrofes naturais estão a causar um aumento das perdas económicas e seguradas. Uma série de ocorrências consideradas secundárias começaram a ter impacto nas perdas totais seguradas que atingiram, em 2021, 110 mil milhões de euros.
A quase totalidade dos prejuízos, agora reportados pela APS, diz respeito a seguros de multirrisco, tanto de comércio e indústria (49%) como de habitação (37%).
A Fidelidade e Tranquilidade disputam a liderança no segmento multirriscos comerciais, com prémios de 146 milhões de euros em 2021, estando 16 seguradoras a operar neste ramo. Multirriscos habitação tem registado crescimentos constantes com a Fidelidade, Allianz e Ocidental na liderança.
O ano de 2022, segundo dados até 31 de julho do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), foi o quinto mais elevado em número de incêndios e o terceiro mais elevado em área ardida desde 2012.
O mês de julho foi, este ano, o que apresentou maior número de incêndios rurais, 40% do total, sendo com 46.996 hectares o mês de maior área ardida, representando 81% do total nacional.
Os cinco maiores incêndios deste ano ocorreram todos no mês de julho, sendo o que consumiu mais área foi o que deflagrou no concelho de Murça, Vila Real, em 17 de julho (7.058 hectares). Segue-se o incêndio de Pombal, Leiria, com 5.126 hectares de área ardida (em 8 de julho).
O terceiro maior incêndio aconteceu em Chaves em 15 de julho, com 3.368 hectares ardidos, seguido pelo de Carrazeda de Ansiães, Bragança, em 7 de julho, com 3.330 hectares ardidos, e o de Ourém, também em 7 de julho, que consumiu 2.936 hectares.