Etiqueta: Empresas

  • Reino Unido pondera nacionalização temporária da Thames Water

    O governo britânico e a Ofwat, entidade reguladora do setor da água, ponderam colocar a Thames Water num regime de administração especial (SAR na sigla inglesa), que tornaria a empresa propriedade pública de forma temporária, noticia a Sky News nesta quarta-feira.

    Este regime de insolvência já foi utilizado pelo governo britânico quando o fornecedor de energia Bulb colapsou em 2021, suscitando preocupações de que uma iniciativa desta natureza poderá custar milhares de milhões de libras aos contribuintes.

    A Thames Water serve 15 milhões de clientes em Londres e no sudeste de Inglaterra. Tem estado sob grande pressão nos últimos anos devido ao desempenho deficitário em matéria de fugas, contaminação de água potável com água de esgotos, e ainda pela remuneração dos executivos e pelos dividendos de acionistas. A Thames Water foi multada várias vezes e está a enfrentar uma série de inquéritos regulamentares.

    Na terça-feira, Sarah Bentley, que foi diretora executiva da empresa nos últimos três anos, apresentou a demissão, com efeitos imediatos, afirmando, no entanto, que “os alicerces da reviravolta que [lançou] colocam a empresa numa posição de sucesso futuro, para melhorar o serviço aos clientes e o desempenho ambiental”. No início deste ano, a responsável afirmou estar “desolada” com as falhas históricas da empresa, culpando “décadas de subinvestimento”.

    Quem são os donos da Thames Water?

    Em março, a Sky News revelou que a Thames Water enfrentava “negociações complicadas” relativamente à sua situação financeira e que tinha contratado o banco de investimento Rothschild e a firma de advogados Slaughter & May para explorar opções de financiamento para a empresa.

    Esta terça-feira, o Daily Telegraph escreveu que a Thames Water tentava angariar mil milhões de libras junto dos acionistas e que a AlixPartners tinha sido contratada para aconselhar sobre os planos de recuperação operacional da empresa. Fonte do setor disse ainda que os reguladores também tinham procurado aconselhamento junto de peritos em reestruturação ao longo das últimas semanas.

    A Thames Water é detida por um consórcio de fundos de pensões e fundos soberanos, muitos dos quais estarão céticos quanto à concessão de financiamento adicional. O maior acionista é o Ontario Municipal Employees Retirement System (Omers), fundo de pensões canadiano, que detém uma participação de quase 32%. A estrutura acionista inclui ainda a China Investment Corporation, fundo soberano do país; o Universities Superannuation Scheme, o maior fundo de pensões privado do Reino Unido; e a Infinity Investments, uma filial da Abu Dhabi Investment Authority. A Hermes, que gere o regime de pensões do Grupo BT, é também acionista.

    De acordo com uma investigação do Guardian, mais de 70% da indústria da água em Inglaterra é propriedade de fundos de investimento internacionais, empresas de capital privado e empresas sediadas em paraísos fiscais. Desde a privatização, estas empresas acumularam dívidas líquidas de quase 54 mil milhões de libras e pagaram dividendos de 65,9 mil milhões de libras.

  • Tripulantes da easyJet lançam novo pré-aviso de greve para maio e junho

    O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) apresenta um pré-aviso de greve para 26, 28, 30 de maio e 1 e 3 de junho e exige igualdade de tratamento para a tripulação das bases portuguesas da easyJet.

    Em comunicado, o sindicato afirma que a “easyJet continua a considerar os tripulantes das bases portuguesas trabalhadores menores, perpetuando a precarização e discriminação relativamente aos colegas de outros países”.

    A greve irá abranger “todos os voos realizados pela easyJet” e os “demais serviços a que os tripulantes de cabine estão adstritos”, cujas “horas de apresentação ocorram em território nacional com início às 00:01 e fim às 24:00 de cada um dos dias” mencionados acima, lê-se no pré-aviso de greve.

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    O clima de tensão e “longo impasse” na resolução dos diversos diferendos laborais são a justificação para a decisão. “Temos consciência mais uma vez do que este pré-aviso representa e não o fazemos de ânimo leve”, referem na nota, antes de acrescentar que o “SNPVAC continua disponível para negociar com a empresa de forma séria e de forma a ir de encontro às pretensões dos nossos associados”.

    Em reação, a gestão da easyJet avançou ter ficado “extremamente desapontada” com a convocação de uma greve no fim de maio e início de junho pelos tripulantes de cabine, garantindo que a “proposta atual do sindicato é impraticável”.

    Estamos extremamente desapontados com a decisão do SNPVAC [Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil] de anunciar um novo aviso de greve, apesar de termos deixado clara a nossa disponibilidade para retomar um diálogo construtivo de forma a chegar a um acordo sustentável”, refere, em comunicado, a transportadora aérea.

    “A proposta atual do sindicato é impraticável, especialmente tendo em conta que o que pagamos aos nossos trabalhadores está acima da média salarial nacional”, lê-se na nota.

    (atualizado às 17h46 com a reação da easyJet)

  • Dona do Minipreço vende lojas Clarel, em Portugal e Espanha

    O grupo de supermercados Dia, dona do Minipreço, vendeu a cadeia de lojas de perfumaria Clarel ao fundo espanhol C2 Private Capital. O negócio implicou um investimento de 60 milhões de euros: 50 milhões vão para os cofres do Dia e os restantes 10 milhões servirão para abater a dívida, segundo comunicado divulgado do regulador da Bolsa de Espanha (CNMV, na sigla original).

    A transação inclui as 1.015 lojas Clarel em Portugal e Espanha e os seus três centros de distribuição, e terá um impacto negativo de 22,5 milhões de euros na demonstração de resultados do grupo Dia no final do exercício financeiro de 2022, segundo o jornal Cinco Días.

    “Acreditamos que a Clarel tem uma grande marca com uma forte presença em áreas importantes do país, que queremos consolidar ao mesmo tempo que reforçamos as suas operações noutras áreas onde existe uma boa capacidade de expansão e espaço para o crescimento”, disse o administrador único da C2 Private Capital, Carlos Galindo Cañas, em comunicado.

    A formalização do negócio está sujeita ao cumprimento de determinadas condições, tais como a obtenção, antes de 30 de junho de 2023, da autorização da Comissão Europeia e das autoridades locais. O Dia vende as lojas Clarel após quatro anos de hesitação e depois de seis anos sucessos de prejuízos.