Autor: tec@eco.pt

  • “É um número enorme de regulamentos”

    O presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), José Galamba de Oliveira, alertou os presentes na Fintech House, nesta terça-feira, para a crescente complexidade da regulação no setor segurador em Portugal: “é um número enorme de regulamentos”, assinalou. “Está a aumentar e não se prevê uma mudança nos próximos anos”.

    O painel que juntou o CEO e Co-Founder da Habit, Domingos Bruges, a CEO e Fundadora da Jove Insurance, Amanda Cai, o CEO e Co-Founder da Uthere, João Pedro Madureira, e contou com a moderação do Presidente da APS, José Galamba de Oliveira, analisou as motivações que impulsionam o crescimento das RegTech.

    Segundo o líder da APS, a multiplicação de regulamentos representa um “peso extra” nos negócios de soluções do setor segurador na União Europeia, especialmente em Portugal, onde “há mais requisitos“, o que resulta numa pressão acrescida nos negócios. A associação está preocupada com os custos, mas inspirada pelas novas tecnologias reguladoras. “A RegTech está no centro da solução”, assegurou o presidente.

    “A maior parte [da regulamentação] vem da Europa, mas não só. Muitas normas são internacionais”, disse. “Temos de ter muito cuidado. As multas são realmente elevadas”. Noutras geografias, como é o caso dos E.U.A. ou do Reino Unido “as regras não são tão estritas”, apontou.

    Desafios regulamentares para encontrar novos canais de distribuição de seguros’ foi o tema do painel apresentado no contexto da RegTech Conf 2023, que juntou o presidente da APS – como speaker e moderador -, a CEO e Fundadora da Jove Insurance Amanda Cai, o CEO e Co-Founder da Uthere, João Pedro Madureira e o CEO e Co-Founder da Habit, Domingos Bruges.

    Segundo a apresentação elaborada pela APS, o investimento em soluções RegTech é cada vez menos visto pelas empresas como uma “obrigação a fim de obter negócio” e mais como um facilitador das operações, com vista a melhorar a customer experience e, ao mesmo tempo, mitigar riscos e reduzir custos. Mas os desafios são muitos: quadros regulamentares complexos e por vezes inconsistentes, questões de cibersegurança e sistemas herdados e enraizados culturalmente, difíceis de alterar.

    A procura de soluções que respondam à complexidade crescente de novos regulamentos deu origem a uma nova área de tecnologia financeira em rápido crescimento: o setor da tecnologia reguladora, ou RegTech. A dimensão do seu mercado global deverá crescer de 5,46 mil milhões de dólares em 2019 para 28,33 mil milhões de dólares até 2027, com despesas estimadas em mais de 50% dos orçamentos globais de conformidade até 2026.

    Trazer mais transparência e inovação digital a uma indústria onde as informações eram transmitidas de forma mais vagarosa e, por vezes, com espaço para falhas, é a promessa da RegTech, com o argumento que permite a empresas do setor segurador aceder facilmente a dados de due dilligence e trocar contratos simultaneamente. O sistema, em constante evolução, fornece informações e análises para ajudar seguradoras a tomar decisões importantes e informadas, reduzindo o risco e tornando o setor mais rápido, inteligente e previsível. De acordo com o relatório da Global City 2021 RegTech, quase dois terços das empresas RegTech registaram um crescimento das vendas, isto em 2020.

    Os próprios reguladores e supervisores aumentaram a sua participação em vários projetos RegTech. Na sequência de um projeto-piloto de relatórios regulamentares digitais, o Banco de Inglaterra e a Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido estão a executar um plano estratégico de Recolha de Dados de Transformação (TDC). A prova de conceito do MRER (Machine Readable and Execution Reporting Requirements) da Comissão Europeia está a levar a recomendações acionáveis às várias Autoridades de Supervisão Europeias. Estes tipos de iniciativas demonstram o impacto das RegTech no mundo real, inspirando a adoção das soluções por parte da indústria.

    No painel que teve lugar na Fintech House, abordou-se o assunto da elaboração de relatórios regulamentares, uma área de conformidade complexa e dispendiosa. O Banco de Inglaterra estima que esta custe aos bancos britânicos um mínimo de 2-4,5 mil milhões de libras por ano. As empresas que elaboram relatórios enfrentam uma série de requisitos de dados sobrepostos, muitas vezes ambíguos e em constante mudança entre jurisdições. Para cada regime de apresentação de relatórios, as empresas têm, frequentemente, de examinar centenas de páginas de texto legal, que devem interpretar manualmente e codificar nos seus sistemas informáticos.

    Em vez de cada empresa interpretar individualmente as regras, soluções RegTech permitem aos utilizadores colaborar, desenvolver uma interpretação padronizada dos regulamentos e armazená-la num formato abertamente acessível como código legível por pessoas e código executável por computadores. Desta forma, as soluções RegTech ajudam a mitigar qualquer divergência entre jurisdições. A colaboração funciona porque não há vantagem competitiva na elaboração de relatórios diferentes. A utilização de uma interpretação normalizada reduz o risco de incumprimento.

    Mas mais de 10% das instituições regulamentadas apontam os “complexos processos de adoção” como um entrave. Fornecedores e instituições financeiras estão focados em encontrar formas de assegurar que as empresas possuem infraestruturas adequadas para integrar a RegTech nos seus sistemas operacionais.

    Como Domingos Bruges apontou, “as InsurTech não pretendem substituir os seguros tradicionais. O objetivo [das novas soluções] passa por testar os limites das práticas estabelecidas e ajudar a melhorá-las com o apoio das tecnologias”.

     

  • UE importou 7,1 mil milhões de brinquedos

    A União Europeia (UE) é líder na importação de brinquedos, com um total de 7,1 mil milhões de euros em compras a países não comunitários, em 2021. As exportações para fora da UE totalizaram cerca de um terço deste valor: 2,4 mil milhões.

    A China foi o maior fornecedor de brinquedos para a UE, representando 83% das importações de brinquedos em 2021, muito à frente do Vietname (4%) e do Reino Unido (2%). Cerca de um quinto das importações de brinquedos da UE foi para a Alemanha (19%). Os Países Baixos e França foram responsáveis por 17% e 11%, respetivamente.

    O principal destino das exportações não comunitárias, com mais de um quarto das exportações, foi o Reino Unido (27%), seguido da Suíça (12%) e dos Estados Unidos (11%). Em conjunto, estes países foram responsáveis por metade das exportações para fora da UE (em valor). Mais de metade dos brinquedos exportados da UE vieram da República Checa (34%), Alemanha (21%) e Bélgica (7%).

    Segurança dos brinquedos

    Em dezembro deste ano, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) informou que apreendeu 6.300 brinquedos, num valor estimado de 52 mil euros, na Operação Brinquedo Seguro. Foram fiscalizados cerca de 145 operadores económicos. A ASAE destacou como principais infrações “a falta de tradução em língua portuguesa com violação das regras relativas aos avisos informativos obrigatórios, incumprimento dos deveres dos distribuidores, violação das regras relativas à marcação CE, entre outras”.

    Recentemente, cientistas suecos relataram na revista “Journal of Hazardous Materials Advances” um estudo de 157 brinquedos de plástico usados e novos. Segundo o estudo, 84% dos brinquedos em segunda mão continham químicos nocivos, incluindo plastificantes de ftalatos e parafinas cloradas.

    Quase 30% dos brinquedos mais recentes, testados no estudo sueco, excederam os limites da Diretiva de Segurança dos Brinquedos da UE. Em relação a muitas substâncias novas ou adicionadas como substitutos, não há informação que determine quão perigosas podem ser.

    Os brinquedos mal fabricados proliferam online, por comerciantes sediados fora da UE. As autoridades aconselham a não os comprar. Também se aconselha cautela com brinquedos que apresentem o endereço de apenas um importador.

    Vários selos oferecem uma ajuda à tomada de decisões, embora existam apenas alguns deles específicos para o setor dos brinquedos. Um deles é a Declaração de Conformidade (DC), que garante que os requisitos legais relativos à segurança e substâncias nocivas são cumpridos, indicando a instituição responsável e o número do teste. No caso dos brinquedos de tecido, os consumidores também podem procurar etiquetas têxteis, como a GOTS (Global Organic Textile Standard) para orientação.

    A impressão da marca CE não é garantia de segurança de um brinquedo. É apenas uma auto declaração do fabricante para cumprir as leis europeias, sem testes independentes de terceiros. A data da certificação é também importante para todas as marcas. Certos plastificantes de ftalatos só foram restringidos nos brinquedos na UE em 2005. Brinquedos certificados antes dessa data não têm garantia de segurança.

    Limites rigorosos para a libertação de alumínio e formaldeído em brinquedos estão em vigor desde maio de 2021, e, a partir de dezembro deste ano, para a libertação do componente cancerígeno cor anilina.

    Existem cerca de 80 milhões de crianças menores de 14 anos na UE e cerca de duas mil empresas que empregam mais de 100 mil trabalhadores diretamente no setor dos brinquedos e jogos, a maioria das quais são pequenas e médias empresas (PME).

  • 5 coisas que vão marcar o dia

    O governo espanhol apresenta o pacote de medidas anti-crise de combate à escalada de preços de alimentos. A China reage a uma retoma da normalidade pós-pandémica, estando a instabilidade a criar preocupações a nível global. O governo peruano anuncia compensações às famílias das vítimas mortais dos protestos antigovernamentais. A Rússia deve decidir se deixa de integrar a UEFA.

    Governo espanhol apresenta medidas para reduzir preços de alimentos

    O Presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, deverá apresentar um pacote de medidas anti-crise e fazer um balanço do ano. O terceiro pacote de ajuda para enfrentar as consequências da guerra na Ucrânia inclui medidas para reduzir os preços dos alimentos, bem como uma possível redução do IVA sobre certos produtos no cabaz de compras e um cheque de cerca de 300 euros para alimentos.

    Bolsas e dados económicos

    A segunda-feira e terça-feira após o Natal é feriado público no Reino Unido e no Canadá, Austrália, Hong Kong e África do Sul. Mas há dados económicos para acompanhar. A S&P CoreLogic divulga o Case-Shiller National Home Price Index e a Federal Housing Finance Agency divulga o Índice de Preços de Casas.

    Donos da Brisa lançam oferta para ficar com 100% da concessionária

    Donos da Brisa oferecem 39 milhões para ficar com 100% da concessionária. O consórcio que comprou a Brisa lançou uma oferta para comprar as restantes ações da empresa. Esta decorre nesta terça-feira e quarta-feira, “período durante o qual os acionistas da BAE que pretendam aceitá-la deverão dar a correspondente ordem de venda”, indica o grupo.

    Governo peruano avança com compensações às famílias das vítimas mortais de protestos

    O ministro da Justiça e Direitos Humanos do Peru, José Tello, anunciou a criação de uma comissão multissetorial para analisar compensações aos familiares das vítimas mortais dos protestos antigovernamentais que decorreram, em várias partes do país, em dezembro. As decisões serão anunciadas nesta terça-feira. Nos protestos, faleceram 27 pessoas, cinco das quais menores de idade.

    Federação russa de futebol decide se troca UEFA pela AFC

    A Rússia decide se opta se deixa de integrar a UEFA e passa a competir na Confederação Asiática de Futebol (AFC), adiantou Alexandr Diukov, presidente da Federação Russa de Futebol (UFR). O futebol russo está excluído de todas as competições internacionais devido à guerra na Ucrânia, tendo a seleção principal sido afastada do Mundial 2022, no Catar. Segundo o líder, “a grande maioria dos clubes” Russos apoia a mudança para a AFC.

  • Dona do Minipreço vende lojas Clarel, em Portugal e Espanha

    O grupo de supermercados Dia, dona do Minipreço, vendeu a cadeia de lojas de perfumaria Clarel ao fundo espanhol C2 Private Capital. O negócio implicou um investimento de 60 milhões de euros: 50 milhões vão para os cofres do Dia e os restantes 10 milhões servirão para abater a dívida, segundo comunicado divulgado do regulador da Bolsa de Espanha (CNMV, na sigla original).

    A transação inclui as 1.015 lojas Clarel em Portugal e Espanha e os seus três centros de distribuição, e terá um impacto negativo de 22,5 milhões de euros na demonstração de resultados do grupo Dia no final do exercício financeiro de 2022, segundo o jornal Cinco Días.

    “Acreditamos que a Clarel tem uma grande marca com uma forte presença em áreas importantes do país, que queremos consolidar ao mesmo tempo que reforçamos as suas operações noutras áreas onde existe uma boa capacidade de expansão e espaço para o crescimento”, disse o administrador único da C2 Private Capital, Carlos Galindo Cañas, em comunicado.

    A formalização do negócio está sujeita ao cumprimento de determinadas condições, tais como a obtenção, antes de 30 de junho de 2023, da autorização da Comissão Europeia e das autoridades locais. O Dia vende as lojas Clarel após quatro anos de hesitação e depois de seis anos sucessos de prejuízos.

  • Europeus fiéis ao dinheiro. Portugueses são dos que mais estão a deixar as moedas e notas

    Em Portugal, o uso de notas e moedas diminuiu, mas é o país da zona euro onde os cidadãos têm menos acesso a cartões de pagamento (débito e crédito). Segundo o estudo SPACE, realizado pelo Banco Central Europeu (BCE), e que investiga os comportamentos financeiros na zona euro de dois em dois anos, junto dos residentes da União Monetária, o uso de dinheiro físico reduziu. É uma tendência na maioria dos países da zona euro, mas especialmente prevalente nos países do sul da Europa: Portugal, Grécia, Espanha e Chipre.

    Mas os europeus ainda gostam de dinheiro físico. Para 60% dos cidadãos europeus, a possibilidade de segurar o seu dinheiro nas mãos ainda é importante. O que é valorizado, na utilização de notas e moedas, é a proteção da privacidade e o rápido processamento dos pagamentos. Além disso, os adeptos do dinheiro acreditam que a sua utilização os torna mais conscientes dos hábitos de despesa. Face a possíveis crises energéticas e falhas de energia, a discussão sobre notas e moedas versus pagamentos digitais torna-se relevante.

    Numerário mantém-se importante nos pontos de venda

    Nos 19 países da zona euro, os pagamentos são feitos, em geral, com notas e moedas. Mas, mesmo assim, a percentagem de pagamentos em numerário em todas as transações caiu para 59% em 2022. Três anos antes, a quota era de 72%, seis anos antes 79%.

    Medidos em termos de volume de negócios, os pagamentos com cartão estão, pela primeira vez, a ultrapassar os pagamentos em dinheiro. De acordo com os dados do BCE, 46% das vendas nas lojas foram pagas por cartão e 43% em dinheiro físico. As diferenças na proporção de pagamentos em moedas e notas deve-se ao facto de pequenos montantes serem mais frequentemente pagos em dinheiro, enquanto grandes montantes são mais suscetíveis de serem pagos por cartão de débito ou de crédito.

    Os resultados do inquérito ilustram uma tendência contínua para menos pagamentos físicos nos pontos de venda. Mas os consumidores estão também a fazer compras online com cada vez mais frequência. A percentagem de pagamentos de comércio eletrónico em todos os pagamentos subiu para 17% em 2022. Três anos antes, era de 6%. Em termos de volume de negócios, a quota até cresceu de 14% para 28%.

    Pandemia alterou comportamentos

    A pandemia acelerou o declínio dos pagamentos com dinheiro físico. Um em cada três inquiridos disse que pagava ‘um pouco menos’ ou ‘muito menos’ com moedas e notas do que antes da pandemia. 54% não mudaram comportamentos de pagamento, enquanto 14% pagaram em dinheiro com mais frequência. A maioria das pessoas considera o pagamento eletrónico mais conveniente (58%).

    A opção dinheiro físico é importante para a maioria

    A maioria dos europeus não quer passar sem notas e moedas. Para 60% dos consumidores da zona euro, estes elementos são ‘muito importantes’ ou ‘bastante importantes’. Alemães e austríacos estão no topo da lista dos fãs do dinheiro físico.

    Dinheiro cripto é procurado em Portugal – mas dificilmente como meio de pagamento

    Uma pequena proporção de europeus aventurou-se nas cripto. 4% dos inquiridos disseram que detinham este meio de pagamento. Portugal está entre os países que reportaram a combinação mais elevada de cripto aplicada ao investimento e pagamento: Itália (30%), Eslovénia (28%), Grécia, Bélgica, Portugal, Áustria e Chipre (todos com 26%) e Espanha (25%).

    O BCE coordenou a recolha de dados em 17 países da zona euro. Todos, exceto a Alemanha e os Países Baixos. O Deutsche Bundesbank (2022) e o De Nederlandsche Bank e a Associação Neerlandesa de Pagamentos (2022) recolheram os seus próprios dados.

    O BCE quer assegurar que os consumidores continuarão a ter a liberdade de escolher se preferem pagar com dinheiro ou cartão. O membro do Conselho Executivo responsável, Fabio Panetta, afirmou, de acordo com o comunicado do BCE, que “existe uma forte procura tanto de numerário como de opções de pagamento digital.

    O empenho do BCE em numerário e o trabalho na introdução de um euro digital deverá ajudar a garantir que as pessoas na zona euro tenham sempre uma escolha“.

  • 5 coisas que vão marcar o dia

    A Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação recebe a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva. Zelensky promove o apagão #LightUpUkraine. É o último dia para participar os danos provocados pelas condições meteorológicas, por formulário, à Câmara Municipal de Lisboa.

    Audição da ministra da Presidência

    ​A Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação recebe, em audição, a Ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, para debater a política geral das áreas que tutela, ao abrigo do artigo 104.º, n.º 5, do Regimento da Assembleia da República.

    Último dia para comunicar prejuízos das cheias a Lisboa

    A Câmara Municipal de Lisboa disponibiliza, até esta quarta-feira, um formulário online para recolha de informação relativa aos danos provocados pelas condições meteorológicas. Essa avaliação resulta do preenchimento do formulário (acessível em www.lisboa.pt/levantamento-danos) por proprietários de estabelecimentos de comércio e serviços, representantes de clubes e associações e cidadãos em geral.

    Entrevista a Mário Centeno na RTP3

    O aumento das taxas de juro, o custo de vida e o risco de uma recessão económica são assuntos a analisar pelo governador do Banco de Portugal. Mário Centeno estará presente no programa Grande Entrevista, com moderação de Vítor Gonçalves.

    Eurostat divulga emissões atmosféricas

    A autoridade estatística da União Europeia partilha um conjunto de dados, entre os quais a conta de emissões atmosféricas até 2020; fluxos do mercado de trabalho na UE, no terceiro trimestre de 2022; preços da terra em 2021 e Acidentes rodoviários por regiões em 2021.

    Ação de solidariedade para com a Ucrânia #LightUpUkraine

    Na terça-feira, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou a instituições e cidadãos em todo o mundo para que hoje apaguem as luzes como gesto de solidariedade para com a Ucrânia, afetada por apagões causados por ataques Russos contra as suas infraestruturas de energia no contexto da campanha #LightUpUkraine.

  • Estrangeiros já representam 5,2% da população residente em Portugal

    O número de estrangeiros em Portugal aumentou. Representavam, em 2021, 5,2% do total da população, sendo a comunidade brasileira a maior. A população estrangeira é maioritariamente feminina, jovem e com habilitações ao nível da escolaridade secundária. O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou, nesta segunda-feira, os dados definitivos dos Censos 2021, numa publicação sobre a população de nacionalidade estrangeira residente em Portugal.

    De acordo com os resultados dos Censos 2021, à data do inquérito, residiam em Portugal 542.165 pessoas de nacionalidade estrangeira, representando 5,2% do total da população residente, um valor superior aos 3,7% verificados em 2011. A nacionalidade brasileira totalizava 36,9%.

    Relativamente a 2011, e exceto os Açores, todas as regiões registaram um acréscimo no número de estrangeiros. O grupo de nacionalidades mais representativas alterou-se, com um aumento de cidadãos de países asiáticos e da União Europeia (UE) e um decréscimo de residentes dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP).

    Os estrangeiros residentes em Portugal eram maioritariamente mulheres, 51,0%, e mais jovens do que a população portuguesa, o que é evidenciado pela maior proporção de pessoas em idade ativa (entre os 15 e os 64 anos). A idade média da população estrangeira era de 37,3 anos, valor mais baixo do que o da população portuguesa. Mais de 68% da população estrangeira (dos 15 aos 64 anos) era economicamente ativa e 60,5% encontrava-se empregada.

    [eco_related post_related=”1110347″ /]

    Os níveis de escolaridade da população em idade ativa (dos 15 aos 64 anos) eram, de um modo geral, mais elevados na população de nacionalidade estrangeira, comparativamente com a população portuguesa. Enquanto 24,1% da população de nacionalidade portuguesa tinha um nível de escolaridade inferior ao 3º ciclo do ensino básico, no caso da população de nacionalidade estrangeira, essa percentagem era de 18,4%. No ensino superior, as percentagens eram semelhantes, com cerca de 24% da população estrangeira e portuguesa a terem concluído esse nível de escolaridade.

    Analisada a condição perante a atividade económica, verificava-se que cerca de 55,4% da população estrangeira era economicamente ativa, valor que correspondia a 46,1% na população de nacionalidade portuguesa.

    De acordo com os Censos 2021, a maior comunidade estrangeira residente em Portugal era a brasileira, com 199 810 pessoas (36,9%). A comunidade angolana era a segunda mais representada, com 5,8%, seguindo-se a cabo-verdiana com 5,0%. Integravam ainda o conjunto das nacionalidades mais representativas, o Reino Unido, 4,5%, a Ucrânia, 3,9%, a França, 3,5%, e a China (3,1%). Ainda com valores acima dos 10 mil residentes encontrava-se a população nacional da Guiné-Bissau, Índia, Roménia, Itália, Espanha, Alemanha e São Tomé e Príncipe.

    Tendo como referência o peso relativo da população estrangeira sobre o total da população residente, o Algarve destacava-se como a região onde os cidadãos estrangeiros estavam mais representados, totalizando 14,5% do total da população residente na região. Seguia-se a Área Metropolitana de Lisboa, com 8,9% dos residentes de nacionalidade estrangeira. Nas restantes regiões, a população de nacionalidade estrangeira tinha um peso inferior à média nacional (5,2%).

    A distribuição regional da população estrangeira apresenta alguma diferenciação entre o litoral e o interior do país. Os municípios com maiores proporções de estrangeiros estavam localizados no litoral do país.

    Em Portugal apenas 5,2% dos seus residentes são estrangeiros, contrastando substancialmente com o Luxemburgo, por exemplo, que corresponde ao país europeu com maior percentagem de estrangeiros, 70,6%, entre os quais, muitos portugueses, que representam 14,8% do total de estrangeiros residentes nesse país.

  • “IA está a dar às seguradoras poderes divinos”, diz japonesa Sompo

    A inteligência artificial (IA) e os programas informáticos de avaliação de informação de última geração permitem que os subscritores prevejam fatores como o clima, desastres naturais e até mesmo a probabilidade de desenvolvimento de patologias. Conhecimentos que, antes, “só Deus sabia”, diz o presidente da Sompo, uma das maiores seguradoras japonesas.

    Mikio Okomura, chefe da empresa japonesa Sompo Holdings: “Vamos incentivar os nossos clientes a mudarem de comportamentos em relação à saúde, e tal solução pode ser aplicada aos seguros de saúde de indivíduos que ainda estão em idade ativa”.

    A afirmação de Mikio Okumura, chefe da Sompo Holdings, surgiu enquanto a companhia anunciava o lançamento, no Japão, de um pacote de seguros de saúde focados no risco de demência. O produto, feito à medida, baseia-se na avaliação de informações clínicas, como batimentos cardíacos, necessidades alimentares e padrões de sono, captada a partir de dados de centenas de residentes em casas de repouso associadas à Sompo.

    As declarações surgem após um investimento de 500 milhões de dólares da Sompo na Palantir, uma empresa americana especialista na avaliação de grandes quantidades de informação, ou big data’, e depois do anúncio da participação de 22% na startup japonesa de AI, Abeja.
    “Poderemos agora analisar factores que, no passado, só Deus sabia, graças à tecnologia, incluindo a IA”, mencionou Okumura, ao apresentar um plano de seguros que não só compensa os clientes adequadamente se sofrerem de demência, mas que encoraja o atraso do aparecimento da doença, através do incentivo de mudanças de comportamento.

    A Sompo utiliza cerca de 500 unidades de informação obtidas a partir de dados de 80 mil residentes dos seus lares de idosos, um negócio em que a companhia apostou em 2015, e que impulsionam a criação de coberturas de seguros preventivos que prometem a adaptação ao estilo de vida e hábitos de cada utente.

    Em 2020, estimava-se que 6,3 milhões de indivíduos sofressem de demência no Japão, e a estimativa é suscetível de atingir os 11 milhões até 2060, ou seja, pelo menos, um em três habitantes idosos, segundo estatísticas do governo japonês.

    A experiência com a Palantir foi anunciada como uma forma de criar modelos que permitissem aconselhar melhorias nos planos de cuidados de saúde para cada residente dos lares. Mikio Okumura espera que os dados possam agora servir também a sua principal seguradora, permitindo à empresa desenvolver uma oferta de seguros que “evite riscos”.

    “Vamos incentivar os nossos clientes a mudarem de comportamentos em relação à saúde, e tal solução poderia também ser aplicada aos seguros de saúde dos indivíduos que ainda estão em idade ativa“, sugeriu Okumura. “Se os segurados conseguirem retardar os sintomas de demência [por dois ou três anos], poderemos oferecer-lhes coberturas de seguro mais vantajosas”.

    O líder explicou: “isto reduzirá os encargos para as famílias que os apoiam, prolongará a esperança de vida saudável dos clientes e diminuirá os encargos da seguradora. Como resultado, o sistema de segurança social tornar-se-á mais sustentável“, acrescentou Okomura.

    A Sompo, em conjunto com diferentes seguradoras, está aberta a utilizar ferramentas cada vez mais eficazes para substituir os modelos das empresas de seguros num “mundo cada vez mais afetado pelos resultados das alterações climáticas”. Isto, numa altura em que as seguradoras, globalmente, têm enfrentado aumentos abruptos nos encargos relacionados a catástrofes naturais.

     

  • Metaverso nos seguros: primeiro chegará publicidade, depois vendas

    O metaverso “é visto, a curto prazo, como um ambiente com potencial para posicionamento de marca e realização de ações publicitárias mais inovadoras e apelativas”, admite Andrés Duque Bavariano, Diretor de Serviços Financeiros da Minsait. No entanto, “a médio e longo prazo, estes objetivos serão alargados a mais áreas, tornando-se um canal de vendas que faz parte da estratégia interna e permite atingir mais públicos”, conclui.

    As declarações surgem após a divulgação do estudo “Insurance Metaverse: Novas Realidades, Novas Oportunidades”, que analisa os desafios colocados às seguradoras pelo ambiente virtual do metaverso. O estudo foi realizado pela Minsait, empresa da Indra, especialista em transformação digital e tecnologias de informação, e desenvolvido em conjunto com a Investigación Cooperativa entre Entidades Aseguradoras y Fondos de Pensiones (ICEA), associação sem fins lucrativos que reúne uma grande parte das companhias de seguros espanholas e dedica-se à investigação, estudos estatísticos, formação e consultoria aplicada à atividade dos seguros.

    Andrés Duque Bavariano, Diretor de Serviços Financeiros da Minsait: “a médio e longo prazo será um canal de vendas que faz parte da estratégia interna e permite atingir mais públicos”.

    O metaverso, iconizado pelos óculos que permitem as sensações desse universo, define-se pelo uso de ativos como avatars, modelos 3D, ambientes espaciais próprios e realidade híbrida. Estes ativos irão trabalhar com metadata para criar perfis pessoais e de negócios que depois habitarão no metaverso. Entre seguradoras, a pioneira foi a coreana Heungkuk Life Insurance, que permitiu visitar uma loja virtual. Entre os riscos, a próxima fronteira será segurar propriedades virtuais e pior, como calcular risco e definir valor para o que não existe fisicamente.

    Os desafios colocados às seguradoras quando aderem ao metaverso, as ferramentas que facilitarão a sua rentabilidade, bem como os possíveis desafios envolvidos no crescimento no metaverso e na garantia da sua convergência com o mundo real, foram algumas das questões estudadas pela ICEA e Minsait.

    A Minsait acredita no impacto positivo do metaverso no setor dos seguros, que irá consistir, diz a empresa, em comunicado, num “ambiente virtual onde as seguradoras poderão encontrar novos canais de interação com os seus profissionais e segurados e encorajar a sua atividade empresarial”.

    De acordo com o relatório, 3 em cada 5 empresas ainda não realizaram qualquer planeamento relacionado com ambientes virtuais e apenas uma empresa da amostra analisada passou a esta fase.

    O estudo conta com a participação de 64 entidades presentes no mercado espanhol, representando uma quota de mercado de cerca de 70% do volume de prémios no setor dos seguros que, em 2021, ascendeu a 61.831 milhões de euros, de acordo com as estimativas da ICEA.

    Também o “Tech Trend Radar 2022” o radar de tendências da Munich Re para este ano, lista o metaverso como uma das principais temáticas dentro da área da “hiperconexão”, e, ao analisar oportunidades e riscos, aconselha os leitores a avaliar esta tendência mais de perto para a sua empresa: “o metaverso pode abrir várias oportunidades de negócio. Pode também tornar-se um lugar de interação entre clientes e equipas, à medida que as reuniões físicas se tornam menos frequentes. As empresas devem agora examinar as possíveis aplicações”.

    De acordo com Andrés Duque Bavariano, “é importante analisar o impacto (do metaverso) nos produtos e processos. Aspetos como a propriedade privada dentro do metaverso, a transferência de valor para o plano digital sob a forma de criptoativos e NFTs (non-fungible tokens), a nova responsabilidade civil ou os modelos de relação com o cliente proporcionarão uma adaptação da oferta e da própria gestão do negócio que as companhias de seguros terão de começar a abordar”.

    Segundo André Duque, para alcançar uma evolução real (e rentável) no metaverso, a chave, mais uma vez, reside na inovação tecnológica. Segundo ele, “as companhias de seguros já estão conscientes e compreendem o impacto que os avanços da realidade virtual e aumentada (VR/AR) terão como forma otimizada de se relacionarem com este ambiente, o 5G/6G como potenciador de ligações e relações em tempo real, e as tecnologias como a inteligência artificial (IA), cujo impacto será notável a todos os níveis”.

    O especialista menciona que outras evoluções digitais como a blockchain têm grande potencial para permitir modelos seguros e fiáveis de transferência de valor ou economias digitais descentralizadas em mundos virtuais.

    Questões como a falta de conhecimento dos novos modelos de negócio a implementar, a falta de prioridade que estas iniciativas têm entre as equipas de gestão, a imaturidade das empresas em matéria de tecnologia e segurança ou a ausência de pessoal com conhecimento especializado são algumas das causas.

    “É importante encontrar parceiros e estabelecer alianças para o futuro que ajudem a definir uma estratégia alinhada com as necessidades do negócio”, diz Andrés Duque. A aposta em novos perfis profissionais com conhecimentos técnicos e orientados para este campo, ou a implementação de estratégias de negócio que possibilitem uma ação mais estratégica, serão aspetos chave a serem desenvolvidos a médio prazo.

    A responsabilidade civil, a evolução das regulamentações para assegurar a privacidade e a segurança da informação, e a utilização da própria legislação não só identificam riscos alternativos, como são, em si mesmas, grandes oportunidades para o setor dos seguros.

    Embora os planeamentos sejam iniciais e ainda existam medidas que desencorajam as empresas, tais como o ambiente regulatório imaturo e a regulamentação dos dados, a verdade é que, segundo o estudo, “os benefícios se materializarão à medida que os projetos e iniciativas avançarem. O facto de poder aceder a novos segmentos de clientes, a sua fidelização e atrair talentos inovadores são apenas alguns dos benefícios mais imediatos. A médio e longo prazo, irá gerar diretamente linhas de negócio alternativas“, prevê Andrés Duque.

    A ICEA, que conduziu o estudo, é uma associação sem fins lucrativos que reúne uma grande parte das companhias de seguros espanholas e dedica-se à investigação, estudos estatísticos, formação e consultoria aplicada à atividade dos seguros.

  • Supervisores consideram promoção da educação financeira nas escolas “pilar estratégico”

    A administradora do Banco de Portugal (BdP), Ana Paula Serra, na ocasião da Sessão Solene da Semana da Formação Financeira 2022, especialmente dedicada às escolas, sublinhou que as orientações estratégicas para o período de 2021-2025 incluem a transição digital, a sustentabilidade e a formação financeira.

    A administradora congratulou a inclusão da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) no Plano Nacional de Formação Financeira e destacou que a integração de conteúdos fiscais no Plano de Formação Financeira é essencial.

    No discurso da Sessão Solene da Semana da Literacia Financeira, Ana Paula Serra declarou que, “em boa hora o Plano assumiu a Promoção da Educação Financeira nas escolas como um pilar estratégico da sua atuação”. Disse ainda que “a colaboração com o Ministério da Educação tem sido essencial para que a educação financeira entre nas escolas”.

    Ana Paula Serra, que está de saída do Banco de Portugal, assinalou a importância de transmitir conhecimentos financeiros e desenvolver nas crianças e jovens as atitudes e comportamentos mais adequados “para os preparar para as decisões financeiras que irão tomar ao longo da vida”.

    Passados quase dez anos desde a publicação do Referencial de Educação Financeira, a administradora declarou que os Supervisores Financeiros e o Ministério da Educação sentiram a necessidade “de fazer uma revisão e atualização dos conteúdos”.

    Portugal tem vindo a adaptar a sua oferta digital financeira. Em relação aos criptoativos, a administradora refere que “existe, cada vez mais, uma apetência maior, em especial entre os mais jovens, por estes ativos, mas nem sempre existe um conhecimento devido dos riscos associados”.

    O BdP “está empenhado” e tem uma estratégia de literacia financeira digital integrada naquilo que é a estratégia de literacia financeira digital para Portugal, em conjunto com a OCDE, com o apoio financeiro da União Europeia.

    “Achamos que podemos contribuir para aumentar os níveis de literacia financeira digital na população, capacitar os cidadãos para a utilização segura de produtos e serviços financeiros digitais e tornar os consumidores mais resilientes e mais conscientes do impacto do comportamento na utilização desses serviços”, disse a administradora. “Por vezes nem nos apercebemos como somos conduzidos a determinadas decisões”, acrescentou.

    Ana Paula Serra informou que, com a primeira etapa do projeto de Formação Financeira concluída, está em desenvolvimento uma segunda fase, que envolveu a realização de um inquérito à população portuguesa sobre o conhecimento e a utilização dos canais digitais. A iniciativa consistiu em entrevistas porta-a-porta numa amostra de 1500 indivíduos.

    Terminámos este trabalho em setembro e estamos agora a analisar os resultados”, indicou, acrescentando que continuam “muito empenhados em alargar o impacto das iniciativas presenciais e digitais”.