Autor: Diana Rodrigues

  • Segurança no trabalho deve ser prioridade das PME

    Segurança no trabalho deve ser prioridade das PME

    As PME em Portugal enfrentam desafios significativos quando se trata de garantir a segurança no trabalho, com um impacto direto nos custos com seguros.

    O número de acidentes de trabalho no país continua a ser uma preocupação crescente, especialmente em setores como a construção civil e a indústria, onde as condições de trabalho são mais perigosas.

    Em 2024, os dados revelam que, na União Europeia, foram registados 2,97 milhões de acidentes de trabalho não fatais em 2024, um aumento de 3% em relação ao ano anterior, devido à retoma da atividade pós-pandemia. Os homens são significativamente mais afetados, representando dois em cada três acidentes não fatais. Esses dados refletem um cenário preocupante, onde a segurança no trabalho ainda é uma prioridade a ser melhorada, especialmente nas PME, que apresentam mais dificuldades em implementar práticas de segurança eficazes.

    O desafio da fiscalização e a necessidade de aumento de recursos

    Em Portugal, a fiscalização das condições de trabalho tem sido insuficiente, um problema que afeta particularmente as PME.

    Com a ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho) sobrecarregada e com recursos limitados, a fiscalização nas PME acaba por ser muitas vezes esporádica, o que resulta na persistência de práticas inadequadas de segurança em muitos locais de trabalho. Os dados indicam que os acidentes não fatais aumentaram substancialmente na União Europeia, e os homens, que predominam em setores como a mineração, construção e indústria, estão mais expostos ao risco de acidentes. Esses setores continuam a ser os mais afetados, refletindo a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa e de incentivos para melhorar a segurança nas PME.

    Uma possível solução seria a digitalização das inspeções, permitindo maior eficiência na monitorização dos locais de trabalho e a capacidade de realizar mais visitas, sem depender tanto de um número elevado de inspetores.

    Incentivos fiscais e apoios para a implementação de práticas de segurança

    A grande maioria das PME em Portugal enfrenta dificuldades em implementar práticas de segurança devido ao elevado custo associado. Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), programas de formação e a implementação de sistemas de gestão de segurança exigem investimentos que muitas vezes as empresas de menor porte não podem fazer sem apoio.

    A criação de incentivos fiscais e subsídios específicos para a segurança no trabalho seria uma forma eficaz de reduzir a carga financeira sobre as PME e permitir-lhes melhorar as suas condições de trabalho sem comprometer a sua sustentabilidade económica.

    Promoção de uma cultura de segurança nas empresas

    A segurança no trabalho não depende apenas de fiscalizações e incentivos fiscais, mas também de uma mudança de mentalidade dentro das próprias empresas.

    Em 2025, as PME devem focar-se na proatividade na criação de uma cultura de segurança, o que envolve não só a implementação de medidas físicas de proteção, mas também uma educação contínua dos trabalhadores sobre os riscos presentes no ambiente de trabalho e como preveni-los. Dados de 2024 demonstram que os homens têm maior probabilidade de serem vítimas de acidentes de trabalho, dado o seu envolvimento em setores de maior risco.

    As empresas devem assumir um papel ativo na criação de uma cultura de proteção e respeito pelos seus trabalhadores, oferecendo aos seus colaboradores as ferramentas e os conhecimentos necessários para identificar e prevenir riscos. Além disso, existe a possibilidade de aproveitar a consultoria externa de especialistas em segurança no trabalho, o que ajuda a garantir que se estão a cumprir todas as normas estabelecidas e a adotar as melhores práticas de segurança no trabalho.

    Adoção de tecnologias para monitorização de riscos

    Ao tirar partido do desenvolvimento acelerado da tecnologia, as PME podem melhorar a sua capacidade de monitorização e gestão de riscos. Ferramentas como sistemas de monitorização de segurança, sensores para detetar condições de trabalho inseguras, ou plataformas digitais para formação, podem ser implementadas para evitar potenciais problemas antes que estes se tornem mais graves. Em 2025, a caminho da ampla implementação das ferramentas de inteligência artificial, já estão disponíveis tecnologias como sensores de qualidade do ar, dispositivos de monitorização de vibrações, ou sistemas de alerta para quedas e acidentes e podem ser facilmente incorporados no dia a dia das empresas. A adoção de tecnologias também pode servir para reduzir a necessidade de fiscalização direta e aumentar a precisão das medidas de segurança. Além disso, essas tecnologias podem ser úteis no caso de auditorias e na redução de custos com os seguros.

    Reforço do sistema de seguros para PME

    As PME enfrentam desafios significativos com os prémios de seguros elevados, muitas vezes devido à falta de implementação de práticas de segurança adequadas. Atualmente, estas pequenas e médias empresas são penalizadas com custos mais altos em seguros, devido ao risco associado a ambientes de trabalho menos seguros.

    Melhorar a segurança no trabalho em Portugal e reduzir os custos com seguros nas PME exige um esforço conjunto entre o governo, as empresas, as seguradoras e os trabalhadores. A fiscalização, os incentivos fiscais, a promoção de uma cultura de segurança, a adoção de tecnologias e a criação de um sistema de seguros equilibrado são as principais medidas que podem ser implementadas para criar um ambiente de trabalho mais seguro e sustentável.

    Se estas mudanças forem implementadas, as PME não só reduzirão a sinistralidade, mas também poderão beneficiar de custos mais baixos com seguros e um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo.

  • O Seguro-Caução é uma ferramenta poderosa para as PME

    O Seguro-Caução é uma ferramenta poderosa para as PME

    Em Portugal, as PME e microempresas enfrentam desafios constantes no que diz respeito à gestão de riscos e à execução de contratos.

    Uma das ferramentas mais eficazes para garantir a segurança e a continuidade dos negócios é o Seguro-Caução, apólice que tem vindo a crescer em relevância e a ser cada vez mais utilizado no contexto empresarial português.

    O que é o Seguro-Caução?

    Considere que uma empresa assume um compromisso importante, como a construção de um edifício ou a entrega de mercadorias. A parte que contrata necessita de uma garantia de que o trabalho será feito ou os produtos entregues conforme prometido.

    O seguro-caução funciona como uma espécie de “garantia adicional”, onde a seguradora se propõe a cobrir os prejuízos caso a empresa contratada não cumpra o que foi acordado. Este tipo de seguro assegura que, se a empresa não cumprir suas obrigações, a seguradora irá compensar a parte prejudicada.

    Este tipo de seguro é particularmente útil para as PME, uma vez que oferece uma solução eficiente para assegurar que se cumprem os contratos sem a necessidade de mobilizar grandes quantias, algo essencial para organizações que, muitas vezes, operam com margens financeiras reduzidas.

    Em caso de incumprimento, a seguradora compromete-se a indemnizar os lesados, oferecendo, assim, uma camada extra de segurança e confiança para todas as partes envolvidas.

    Principais benefícios do Seguro-Caução em relação à garantia bancária:

    • Não afeta o capital disponível da empresa;
    • Não é registado como dívida na CRC (Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal), ao contrário da garantia bancária;
    • O processo de emissão é mais rápido e com menos formalidades;
    • Oferece maior flexibilidade nas condições.

    Este seguro é utilizado quando é necessário garantir o cumprimento de um contrato com terceiros, como em contratos de construção, fornecimentos, serviços ou concessões públicas. É uma alternativa preferida por quem deseja manter a liquidez da empresa e evitar riscos adicionais com instituições financeiras.

    Embora ainda não seja amplamente difundido em Portugal, o uso deste seguro está em crescimento, tendo aumentado a sua adoção, no ano passado em Portugal (+19%), segundo dados da ASF, refletindo um mercado com grande potencial de expansão.

    Como começar a implementar este seguro?

    O processo de contratação de um Seguro-Caução envolve quatro etapas principais:

    1. A PME solicita condições à seguradora, fornecendo os elementos necessários para a análise do risco.

    2. A seguradora avalia a situação e emite uma cotação para o seguro.

    3. Se a empresa aceitar a proposta, a seguradora emite a apólice.

    4. O beneficiário do seguro-caução recebe a garantia, e o contrato entre as partes pode ser executado com segurança.

    O Seguro-Caução não só protege o beneficiário, com também permite que as empresas cumpram suas obrigações sem comprometer a sua capacidade de pagamento ou os seus fundos próprios.

    Garantias Técnicas vs. Garantias Financeiras

    Existem duas principais categorias de garantias associadas aos Seguros-Caução: garantias técnicas e garantias financeiras.

    • Garantias Técnicas: as mais comuns, especialmente em setores como a construção e fornecimento de bens ou serviços. Estas cobrem o risco de incumprimento de obrigações relacionadas com a execução de tarefas, como a construção de um edifício ou a entrega de mercadorias.
    • Garantias Financeiras: garantem o cumprimento de obrigações financeiras, como o pagamento de dívidas ou o cumprimento de compromissos financeiros, sem envolver diretamente a execução de tarefas específicas.

    Embora ambos os tipos de garantia protejam as partes envolvidas, as garantias técnicas são geralmente mais utilizadas por empresas que precisam de assegurar o cumprimento de contratos complexos, como em licitações públicas ou contratos de empreitada.

    Quem Precisa de um Seguro-Caução?

    • PME que operam no setor da construção civil, como empreiteiros e subempreiteiros, frequentemente necessitam de um seguro-caução para garantir o cumprimento de contratos de obras públicas ou privadas. Este tipo de seguro assegura que a obra será concluída dentro do prazo e conforme as condições acordadas.
    • PME que atuam no comércio de produtos, como no setor de eletrónica ou produtos alimentares, podem precisar de um seguro-caução em contratos de fornecimento, onde há risco de não cumprimento da entrega ou das condições acordadas.
    • PME prestadoras de serviços, como limpeza, manutenção, segurança ou consultoria, podem ser solicitadas a apresentar um seguro-caução em contratos de prestação de serviços de longo prazo, especialmente em licitações públicas.
    • PME envolvidas no comércio internacional, que exportam ou importam produtos, podem precisar de seguros-caução para garantir o cumprimento de acordos comerciais, como prazos de entrega e conformidade com as normas de qualidade.
    • PME de transporte e logística, especialmente aquelas que lidam com grandes volumes de mercadorias ou produtos de alto valor, podem ser obrigadas a contratar um seguro-caução para garantir a entrega segura e pontual das mercadorias.
    • PME que atuam na compra, venda ou arrendamento de imóveis podem precisar de seguro-caução para garantir o cumprimento de contratos de construção ou transações imobiliárias, como a entrega de um imóvel ou o pagamento de alugueres.
    • PME de tecnologia, como aquelas que fornecem software, hardware ou soluções inovadoras, podem necessitar de seguros-caução para garantir a entrega de produtos ou serviços conforme acordado, especialmente em grandes contratos com clientes corporativos.
    • Empresas que realizam contratos com entidades públicas, como fornecedores de materiais, serviços administrativos, ou até mesmo em concursos públicos, são frequentemente solicitadas a fornecer seguros-caução para garantir o cumprimento do contrato.
    • Empresas que organizam eventos, desde conferências a grandes espetáculos, também podem ser obrigadas a contratar seguros-caução para garantir que os serviços sejam entregues conforme o acordado com clientes e parceiros.

    O uso do seguro-caução oferece vantagens significativas para as PME

    De acordo com o ECOSeguros, “perto de 1900 empresas recorreram a seguros de caução em 2023, garantindo 921 milhões de euros de compromissos e pagando por essa cobertura cerca de 7,8 milhões de euros em prémios de seguros”.

    Um exemplo claro de como o seguro-caução pode ser útil no mercado português é o caso de uma empresa de construção civil em Lisboa, que utilizou um seguro-caução para garantir a execução de uma grande obra pública. Quando surgiram problemas logísticos imprevistos, a empresa não conseguiu cumprir o prazo de entrega, mas graças ao seguro-caução, a parte contratante foi indemnizada, permitindo à empresa continuar a trabalhar sem prejuízos financeiros significativos.

    Muitos outros casos se verificam no setor de importação e exportação, onde as empresas que operam com produtos de alto valor frequentemente utilizam seguros-caução para garantir que cumprirão as suas obrigações fiscais e aduaneiras sem comprometer os seus recursos financeiros. Isto ajuda a manter a competitividade e a agilidade, sem que seja necessário lidar com a burocracia associada a garantias bancárias.

    Ao oferecer segurança no cumprimento das obrigações contratuais, sem afetar a liquidez das empresas, permite um ambiente de negócios mais estável e competitivo. Com a crescente exigência de garantias em setores como a construção, fornecimento e comércio internacional, este tipo de seguro continuará a desempenhar um papel crucial no fortalecimento das pequenas e médias empresas portuguesas.

    Se a sua empresa ainda não utiliza o seguro-caução, agora é o momento de considerar as vantagens destes, para garantir o sucesso no cumprimento dos seus compromissos e continuar a crescer de forma sustentável. Para mais informações, consulte a sua seguradora ou corretor especializado.

  • O que está em jogo quando não possui seguro de mercadorias?

    O que está em jogo quando não possui seguro de mercadorias?

    Em Portugal, o crescimento das PME e microempresas no comércio internacional, aliado ao aumento das complexidades logísticas, torna a proteção das mercadorias transportadas uma prioridade.

    As PME portuguesas afirmam que a cobertura de mercadorias transportadas é um dos seus maiores desafios.

    Riscos comuns no transporte de mercadorias

    Como é natural, o transporte de mercadorias está sujeito a vários riscos. De acordo com a pesquisa “Riscos Logísticos no Comércio Internacional”, da Associação Nacional de Transportadores de Mercadorias (ANTM), aproximadamente 30% das PME portuguesas envolvidas em transporte internacional enfrentam perdas devido a acidentes rodoviários, danos causados por intempéries ou furto.

    Estes riscos podem ser mitigados com a contratação de seguros adequados, que garantam que a empresa não seja penalizada financeiramente em caso de sinistro.

    Comércio de retalho e proteção contra perdas de produtos valiosos

    O setor do comércio de retalho é um dos mais vulneráveis a danos no transporte, especialmente no caso de de alto valor, como eletrónica e tecnologia. O estudo “Impacto das Perdas de Mercadorias no Setor do Comércio”, da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), revelou que, em 2023, 20% das perdas no setor ocorreram durante o transporte.

    As PME que não possuem seguros adequados para estas mercadorias podem enfrentar prejuízos substanciais, comprometendo a rentabilidade do negócio.

    Exportação de alimentos: a necessidade de seguros para produtos perecíveis

    No setor da exportação de alimentos, os riscos aumentam devido à natureza perecível de muitas mercadorias, como frutas e produtos refrigerados.

    Segundo o Relatório Anual de Logística e Transporte Alimentar 2024, elaborado pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), cerca de 25% das perdas no transporte internacional de alimentos são causadas por falhas nos sistemas de refrigeração. Para mitigar este risco, o seguro de mercadorias é essencial, especialmente para empresas que lidam com produtos sensíveis.

    Logística e transporte de materiais pesados: garantia de proteção contra danos

    As empresas que operam na logística de materiais pesados, como cimento, aço e madeira, enfrentam riscos elevados de danos durante o transporte. A pesquisa “Riscos de Transporte e Logística em 2023”, da Associação Nacional de Logística de Portugal (ANLP), indicou que cerca de 18% dos danos nos processos logísticos envolvem o transporte rodoviário de grandes volumes. O seguro de mercadorias é essencial para garantir que esses danos sejam cobertos, evitando que a empresa arque com custos inesperados.

    Seguro de Dano vs. Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador

    A distinção entre seguro de dano e seguro de responsabilidade civil do transportador é fundamental para garantir uma cobertura eficaz.

    O seguro de mercadorias protege diretamente os bens transportados, enquanto o seguro de responsabilidade do transportador cobre apenas danos causados pelo transportador. A responsabilidade do transportador só existe em caso de culpa, o que significa que se ocorrer um sinistro por causa fortuita, o transportador não tem qualquer responsabilidade, não havendo, por isso, lugar ao pagamento de indemnização.

    De acordo com o estudo “Convenção CMR e a Responsabilidade Civil do Transportador”, o seguro do transportador raramente cobre os danos totais, especialmente no caso de mercadorias de alto valor (este facto deve-se à existência de limites de indemnização definidos em legislação ou convenções internacionais a que os transportadores estão sujeitos que podem ser inferiores aos montantes em risco, prejudicando o proprietário da mercadoria).

    É, por isso, imporante considerar que sempre que são compradas ou vendidas mercadorias é uma boa prática de gestão celebrar um contrato de seguro das mesmas por danos ocorridos durante o transporte.

    A importância do Seguro de Mercadorias para PME e microempresas

    Apesar da importância do seguro de mercadorias, um estudo recente realizado pela Associação Portuguesa de Diretores (APD) em 2024 revelou que 62% das PME portuguesas não contratam seguros adequados para as mercadorias que transportam.

    Essa falha na proteção pode colocar as empresas em risco de perdas financeiras graves, prejudicando a sua sustentabilidade a longo prazo. “A subvalorização do seguro de mercadorias é uma falha comum, que pode ser prejudicial para os negócios”, afirma o estudo “Gestão de Riscos e Seguro nas PME”.

    A necessidade de proteção no transporte de mercadorias

    A crescente globalização e os desafios logísticos tornam o seguro de mercadorias indispensável para as PME e microempresas. Seja no comércio de retalho, exportação de alimentos ou logística de materiais pesados, os riscos envolvidos no transporte exigem uma abordagem estratégica. Segundo a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), as empresas que contratam seguros adequados têm 35% mais chances de sobreviver a imprevistos financeiros e continuar a expandir os seus negócios. Em última análise, embora o seguro de mercadorias não seja obrigatório, ele é uma medida de boa gestão para proteger os ativos da empresa.

    Para mais informações sobre seguros de mercadorias transportadas, é aconselhável consultar a sua seguradora ou corretor especializado.

  • Os seguros de assistência e proteção jurídica chegam primeiro

    Os seguros de assistência e proteção jurídica chegam primeiro

    Considere os seguintes cenários: uma pequena empresa portuguesa, especializada na venda de produtos online, está a meio de uma campanha de descontos durante o pico de vendas do ano. De repente, o sistema informático colapsa. O website fica offline, os pagamentos deixam de ser processados, e os clientes começam a abandonar os carrinhos de compras. Cada minuto que passa representa vendas perdidas e danos à reputação da empresa. O pânico instala-se, mas não há suporte técnico disponível para resolver o problema com urgência. O que parecia ser um dia de lucros transforma-se num pesadelo operacional.

    Noutro cenário, o proprietário de uma PME de transportes recebe uma notificação inesperada de um tribunal. Um ex-funcionário entrou com uma ação judicial por alegadas irregularidades no seu contrato de trabalho. O empresário, que já lida com margens apertadas e horários exigentes, sente-se perdido perante os custos e a complexidade de uma disputa legal. As despesas com advogados e o tempo despendido na resolução do litígio começam a ameaçar a estabilidade financeira e operacional da empresa.

    Ambos os cenários têm um ponto em comum: um evento inesperado, mas potencialmente devastador, que pode comprometer a continuidade do negócio.

    Ao gerir o seu negócio, é importante considerar que, com as coberturas certas – como seguros de assistência técnica e proteção jurídica – estas situações podem ser rapidamente controladas, permitindo às PME minimizar os danos e voltar à normalidade com o mínimo de interrupções.

    O que torna estes seguros únicos?

    1. Ativação simplificada: basta um contacto telefónico para mobilizar o serviço, independentemente de análises detalhadas ou apuramento de responsabilidades.

    2. Resposta 24/7: tenha o apoio de equipas operacionais que garantem assistência 365 dias por ano, reduzindo interrupções nas atividades.

    3. Soluções práticas: reparação de danos, apoio técnico ou assistência em viagem, sempre orientados para a continuidade do negócio.

    Um exemplo clássico é o seguro de assistência automóvel, indispensável para PMEs com frotas. Este cobre desde reboques em caso de avarias até repatriamento de veículos e pessoas. Não menos importante, as coberturas de cibersegurança têm crescido, à medida que os ataques informáticos aumentam. De acordo com um estudo da IBM Security de 2023, o custo médio de uma violação de dados é de 4,45 milhões de dólares globalmente. Para as PMEs, o impacto proporcional pode ser ainda mais grave.

    Proteção Jurídica: resolver problemas antes que se agravem

    Se os seguros de assistência lidam com o imediato, os de proteção jurídica focam-se na gestão de litígios e na defesa legal da empresa. As PMEs, frequentemente vulneráveis em disputas laborais ou comerciais, encontram aqui um suporte valioso.

    O que oferecem?

    1. Consultoria jurídica pré-contenciosa: Acompanhamento e mediação em conflitos, muitas vezes evitando os custos e demoras de processos judiciais.

    2. Cobertura de despesas legais: Custos com os honorários de advogados e taxas judiciais, libertando a empresa de encargos financeiros imprevistos, assim como aconselhamento jurídico especializado de forma permanente, evitando igualmente que os conflitos escalem para tribunal.

    3. Ação preventiva: Este tipo de seguro pode incluir a cobertura de cancelamentos ou adiamentos de eventos importantes devido a fatores externos, como greves.

    Um estudo da Federação Europeia de Seguros, a Insurance Europe, revelou que cerca de 52% das PMEs que enfrentaram litígios não tinham recursos financeiros para uma defesa adequada, um problema que a proteção jurídica pode resolver.

    Quando a prevenção faz a diferença

    1. Assistência técnica vital: Uma microempresa tecnológica em Lisboa recorreu ao seguro de assistência para reparar um servidor avariado durante o lançamento de um novo produto. Em menos de 24 horas, o problema foi resolvido, evitando uma perda estimada de €15.000 em receitas.

    2. Proteção num litígio comercial: Um fornecedor de produtos alimentares no Porto enfrentou uma disputa contratual com um cliente internacional. Com o seguro de proteção jurídica, cobriu despesas legais de €20.000 e conseguiu mediar o conflito sem recorrer a tribunal.

    Porque estes tipos de seguros são indispensáveis para as PME?

    As PME representam mais de 99% das empresas em Portugal, segundo o Eurostat, mas frequentemente operam com margens reduzidas e recursos limitados. Um imprevisto pode ter efeitos desproporcionados no seu desempenho. Os seguros de assistência e proteção jurídica permitem:

    1. Garantir continuidade operacional: rápida resolução de problemas técnicos ou logísticos.

    2. Evitar custos elevados: limitação do impacto financeiro de disputas judiciais ou falhas operacionais.

    3. Reduzir o stress empresarial: ao delegar a gestão de crises em profissionais, os gestores podem focar-se no crescimento do negócio.

    Aposte na resiliência

    Numa economia em que cada minuto conta, os seguros de assistência e proteção jurídica são uma estratégia de gestão. Com respostas rápidas e cobertura em múltiplas frentes, oferecem às PMEs uma proteção tangível contra os imprevistos do dia-a-dia.

    Para as empresas que desejam prosperar num ambiente competitivo e em constante mudança, a adoção destas soluções é uma decisão inteligente e informada.

    Para mais informações, consulte o seu agente ou corretor de seguros e descubra as opções que se adequam às necessidades do seu negócio.

  • APS: tempestade Martinho acumula 28 milhões em prejuízos até agora

    APS: tempestade Martinho acumula 28 milhões em prejuízos até agora

    A tempestade Martinho, que assolou Portugal entre os dias 19 e 23 de março, deixou um rasto de destruição e prejuízos avultados. De acordo com os dados mais recentes da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), quase 14.700 sinistros já foram reportados às seguradoras, representando um custo estimado de 28 milhões de euros em indemnizações.

    Um funcionário camarário procede à limpeza de árvores caídas em zona residencial devido à passagem da tempestade Martinho, em Cascais, 20 de Março de 2025. Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), mais de 4 mil ocorrências relacionadas com o mau tempo foram registadas em Portugal continental entre as 00:00 e as 07:00, a maioria quedas de árvores e estruturas. RODRIGO ANTUNES/LUSA

    Estes números, no entanto, ainda não são definitivos. A APS admite que o montante total poderá ser revisto em alta, à medida que novos pedidos de indemnização continuem a ser registados e avaliados. Com as operações de limpeza e reparação ainda em curso, muitas empresas encontram-se numa corrida contra o tempo para recuperar da destruição causada pelo fenómeno meteorológico.

    Negócios e habitações no olho do furacão

    A maioria dos estragos (97,9%) está relacionada com seguros de habitação e seguros empresariais. Em várias regiões do país, o vento forte e as chuvas intensas provocaram inundações, quedas de árvores, colapsos de telhados e estragos estruturais em edifícios, afetando tanto habitações particulares como estabelecimentos comerciais e industriais.

    Para as Pequenas e Médias Empresas (PME), a tempestade foi um golpe duro. Muitos negócios ficaram temporariamente encerrados devido a danos materiais, falhas de eletricidade e dificuldades logísticas, o que agravou ainda mais as perdas financeiras. Em algumas zonas, como o litoral e regiões do interior com menor infraestrutura de apoio, a recuperação poderá ser mais morosa e desafiante.

    Processos de indemnização e expectativas dos segurados

    O aumento da frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos tem colocado pressão sobre o setor segurador. Para muitas famílias e empresários afetados, a rapidez no processamento das indemnizações é essencial para garantir a recuperação dos bens danificados.

    A APS garante que as seguradoras associadas estão a trabalhar para agilizar os processos e liquidar os prejuízos o mais rapidamente possível. No entanto, a avaliação dos danos e a burocracia associada podem tornar o procedimento mais moroso do que muitos segurados gostariam.

    Tempestades mais frequentes: um alerta para o setor segurador

    A tempestade Martinho volta a reforçar a necessidade de uma estratégia de adaptação do setor segurador a fenómenos meteorológicos cada vez mais extremos. Especialistas alertam que, com a evolução das alterações climáticas, tempestades com grande impacto poderão tornar-se mais comuns, o que exige apólices mais abrangentes e maior sensibilização dos segurados para os riscos associados.

    A prevenção e a preparação são agora palavras-chave para minimizar os estragos futuros. O desafio não se limita às seguradoras, mas também ao próprio Estado e à sociedade, que devem investir em infraestruturas mais resilientes, planeamento urbano adequado e medidas preventivas para mitigar os impactos de tempestades como a Martinho.

    Nos próximos dias, a APS continuará a atualizar os números sobre o impacto financeiro da tempestade, mantendo o setor e os segurados informados sobre o desenrolar das operações de recuperação.

  • Reino Unido pondera nacionalização temporária da Thames Water

    O governo britânico e a Ofwat, entidade reguladora do setor da água, ponderam colocar a Thames Water num regime de administração especial (SAR na sigla inglesa), que tornaria a empresa propriedade pública de forma temporária, noticia a Sky News nesta quarta-feira.

    Este regime de insolvência já foi utilizado pelo governo britânico quando o fornecedor de energia Bulb colapsou em 2021, suscitando preocupações de que uma iniciativa desta natureza poderá custar milhares de milhões de libras aos contribuintes.

    A Thames Water serve 15 milhões de clientes em Londres e no sudeste de Inglaterra. Tem estado sob grande pressão nos últimos anos devido ao desempenho deficitário em matéria de fugas, contaminação de água potável com água de esgotos, e ainda pela remuneração dos executivos e pelos dividendos de acionistas. A Thames Water foi multada várias vezes e está a enfrentar uma série de inquéritos regulamentares.

    Na terça-feira, Sarah Bentley, que foi diretora executiva da empresa nos últimos três anos, apresentou a demissão, com efeitos imediatos, afirmando, no entanto, que “os alicerces da reviravolta que [lançou] colocam a empresa numa posição de sucesso futuro, para melhorar o serviço aos clientes e o desempenho ambiental”. No início deste ano, a responsável afirmou estar “desolada” com as falhas históricas da empresa, culpando “décadas de subinvestimento”.

    Quem são os donos da Thames Water?

    Em março, a Sky News revelou que a Thames Water enfrentava “negociações complicadas” relativamente à sua situação financeira e que tinha contratado o banco de investimento Rothschild e a firma de advogados Slaughter & May para explorar opções de financiamento para a empresa.

    Esta terça-feira, o Daily Telegraph escreveu que a Thames Water tentava angariar mil milhões de libras junto dos acionistas e que a AlixPartners tinha sido contratada para aconselhar sobre os planos de recuperação operacional da empresa. Fonte do setor disse ainda que os reguladores também tinham procurado aconselhamento junto de peritos em reestruturação ao longo das últimas semanas.

    A Thames Water é detida por um consórcio de fundos de pensões e fundos soberanos, muitos dos quais estarão céticos quanto à concessão de financiamento adicional. O maior acionista é o Ontario Municipal Employees Retirement System (Omers), fundo de pensões canadiano, que detém uma participação de quase 32%. A estrutura acionista inclui ainda a China Investment Corporation, fundo soberano do país; o Universities Superannuation Scheme, o maior fundo de pensões privado do Reino Unido; e a Infinity Investments, uma filial da Abu Dhabi Investment Authority. A Hermes, que gere o regime de pensões do Grupo BT, é também acionista.

    De acordo com uma investigação do Guardian, mais de 70% da indústria da água em Inglaterra é propriedade de fundos de investimento internacionais, empresas de capital privado e empresas sediadas em paraísos fiscais. Desde a privatização, estas empresas acumularam dívidas líquidas de quase 54 mil milhões de libras e pagaram dividendos de 65,9 mil milhões de libras.

  • Consumidores alemães já estão menos confiantes que no início da pandemia

    Depois de oito meses consecutivos de recuperação, a confiança dos consumidores alemães, medida pelo índice do clima de consumo da GfK, desceu para -25,4 pontos, contra os 24,4 pontos negativos registados no mês anterior. Um registo que atira este indicador para um nível abaixo do verificado na primavera de 2020, que coincidiu com o início da pandemia de Covid-19.

    “A atual evolução do sentimento dos consumidores indica que estão novamente mais inquietos. Isto reflete-se, entre outros pontos, no facto de a propensão para poupar ter aumentado novamente [cinco pontos] este mês”, assinala o especialista em consumo da GfK, Rolf Bürkl. “As taxas de inflação ainda elevadas, atualmente em torno dos 6%, estão a reduzir visivelmente o poder de compra das famílias e a impedir que o consumo privado dê o seu contributo positivo”, acrescenta, numa nota publicada esta quarta-feira.

    As perspetivas de rendimento dos consumidores também diminuem em 2,4 pontos, para -10,6 pontos. “As famílias assumem que terão de aceitar perdas de rendimento real este ano, tendo em conta a persistência de taxas de inflação elevadas, que provavelmente não serão totalmente compensadas por aumentos salariais acordados coletivamente”, explica a GfK nesta publicação.

    [eco_related post_related=”1234172″ /]

    O receio de um novo aumento dos preços inflação, por um lado, e do cenário de recessão na maior economia europeia, por outro, está a fazer cair o ânimo dos consumidores alemães. As expectativas em relação aos rendimentos e à economia, em particular, voltaram a diminuir recentemente, segundo o estudo da empresa de estudos de mercado GfK sobre o sentimento dos consumidores, realizado em junho. A inflação na Alemanha está, no entanto, a diminuir.

  • Prosegur Alarms proclama-se “aliada das seguradoras”

    João Carvalho, Diretor de Marketing da Prosegur Alarms, considera que a Central Recetora de Alarmes (CRA) da empresa é um data center muito especial. Isto porque, partilhou com o ECOseguros, “recebe sinais de todos os sistemas que temos, espalhados pelas casas e pelos negócios dos nossos clientes“. Protege bens, habitações e negócios através de um processo inteligente. “Os dados são sempre recolhidos, só que nem sempre são tratados. O sistema está sempre a ver o que está a acontecer”, partilhou.

    Quando surge uma ocorrência que ative o alarme – intrusão, incêndio, controlo de acessos, videovigilância, ou outros – dados são transmitidos remotamente, por GRP ou IP (wi-fi) e, em função do que é recebido, sinais são enviados para a sala de receção da CRA. Operadores que trabalham ’24×7′ dão resposta à informação recolhida, por ordem de algoritmos que interpretam diferentes graus de urgência.

    Nós funcionamos ‘à priori‘ – se alguém tem um sistema de alarme é bonificado pelo facto de o ter”, sublinhou João Carvalho, Diretor de Marketing da Prosegur.

    Somos [uma empresa] aliada das seguradoras. O nosso principal objetivo, quando colocamos sistemas de segurança é mitigar o risco e proteger os conteúdos e os bens que estão dentro das casas. O scoring das seguradoras é melhorado quando estamos presentes. Nós funcionamos à priori – se alguém tem um sistema de alarme é bonificado pelo facto de o ter“, sublinhou João Carvalho.

    Na central CRA, situada na Avenida de Berna – um “mini call center”, onde cerca de 60 pessoas estão fechadas, literalmente, numa espécie de caixa-forte – são analisadas ocorrências vindas de todo o país, que chegam a cada agente aleatoriamente.

    De acordo com dados qualitativos e quantitativos, os agentes decidem os passos a adotar. O interface humano tem que interpretar “um sistema cego”. O operador só tem acesso aos dados quando o alarme é ativado – que, tem também, muitas falsas ocorrências e pode até ser ativado por deslocações de massas de calor.

    Os clientes, através da app, ou os operadores da CRA podem facilmente aceder ao local protegido remotamente e verificar o que está a ocorrer. Para casos mais graves, patrulhas são enviadas ao local. O sistema automaticamente transmite o sinal de ‘sabotagem’, quando os equipamentos são comprometidos.

    João Carvalho assegura que todos os procedimentos são ‘compliants’ com a legislação em vigor. Ao final de 30 dias, o sistema apaga os dados. Apenas os clientes em sistema self-service, através das apps, podem guardar os elementos registados. Eventos que ativem ocorrências de alarmística ficam guardados. “O manuseamento não existe sob a forma de data mining – o sistema só funciona com base em algoritmos que estão ligados à alarmística“, garantiu João Carvalho.

    O diretor de marketing explicou que “é fácil categorizar os dados recolhidos por freguesia, ou distrito”. As opções de sistema são tantas que podem ser praticamente ‘custom made’ – cada cliente pode desenhar o seu próprio método de proteção, adaptado às suas necessidades específicas.

    Quanto a verdadeiras ocorrências – mais prevalentes em Lisboa e Porto, e nos centros urbanos do país – têm, por lei, que ser comunicadas, periodicamente, ao Ministério da Administração Interna. A informação é condensada no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) – bastante extenso, com cerca de 3 centenas de páginas – e que inclui dados de todo o país.

  • Conferência APS: Especialistas reforçam que riscos climáticos vão disparar

    Com a intenção de sensibilizar a população em geral para a importância dos seguros, a conferência “(Des)proteção Sobre Riscos da Natureza”, que decorreu, nesta terça-feira, no Auditório da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), abordou factos científicos, históricos e as ações essenciais para mitigar e prevenir riscos associados catástrofe naturais, cada vez mais prevalentes e intensos em Portugal.

    José Galamba de Oliveira, Presidente da APS, foi o responsável pelas boas-vindas, seguido de José Manuel Duarte da Costa, Presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que enfatizou a necessidade de comunicar o risco à população. “Não sabemos quando vai acontecer, mas vai voltar a acontecer”, sublinhou, ao afirmar que “uma sociedade alerta para o risco é uma sociedade ciente dos seus impactos”.

    O líder apontou a importância da criação de campanhas de comunicação, quer em contexto escolar, na comunicação social ou em contexto académico, “para mudar mentalidades“, fazendo um paralelismo com a comunicação intensiva utilizada na campanha que promoveu a utilização dos cintos de segurança – “que teve muito sucesso” – ainda nos anos 90.

    “Em Portugal, temos vários efeitos das estruturas sociais com tradições difíceis de mudar. O maior impacto das alterações climáticas tem sido sentido no interior do país, em zonas rurais – as sociedades litorais, com um número maior de habitantes, não tem a noção dos impactos”, lamentou.

    “O que é importante é termos um quadro preparatório para trabalharmos a questão da prevenção. Quais são os riscos? Quais são as respostas? Qual é a preparação da sociedade?“, indagou o especialista em proteção civil. “Para além do planeamento e prevenção é precisa uma unidade de esforços. Sou adepto de uma abordagem compreensiva e multisectorial. Todos temos que trabalhar para o mesmo fim”. Duarte da Costa concluiu: “quando desenhamos modalidades de ação, respondemos à mais provável, mas temos de acautelar sempre a mais perigosa”.

    Urge criar um sistema de cobertura de risco sísmico

    O risco sísmico corresponde à catástrofe natural de danos potencialmente mais significativos em Portugal” e “historicamente já foi presenciado um sismo em Lisboa, com consequências catastróficas“, foram algumas das razões apresentadas por Gonçalo Vieira da Luz, Professor de Finanças Empresariais na Universidade Nova SBE, para a urgência de implementação de um sistema de cobertura de risco sísmico em Portugal.

    O académico abordou o protection gap referente a riscos da natureza e apontou a tendência crescente, tanto na frequência como na gravidade, de ocorrências catastróficas resultantes de eventos climáticos nas últimas décadas.

    “As seguradoras suportaram cerca de 715 milhões de euros em indemnizações relativas às principais catástrofes naturais entre 2009 e 2019, com destaque para os anos 2010 (Tempestade na Madeira), 2013 (Temporal no continente), 2017 (Incêndios) e 2018 (Tempestade Leslie)”, apontou o professor. “Em 2007, estimava-se que 92% dos fogos habitacionais não tivessem qualquer seguro contra sismos em termos estruturais, o que é preocupante, atendendo ao risco sísmico em Portugal”, apontou Vieira da Luz.

    “Há pelo menos 11 países com sistemas nacionais de seguro contra riscos de catástrofe natural, que cobrem explicitamente riscos sísmicos”, referindo-se, por exemplo, à Dinamarca, Espanha, França, Islândia, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Reino Unido, Suíça, Turquia ou EUA”.

    Todas as economias dependem dos recursos naturais

    Helena Freitas, Diretora do Parque de Serralves e Professora Catedrática na área da Biodiversidade e Ecologia na Universidade de Coimbra, lembrou os números que provam o aumento da temperatura planetária e apontou consequências, como o efeito estufa.

    A líder afirmou: “estamos reféns de meia dúzia de interesses que não podem pôr em causa a maioria de nós“. E sublinhou que é essencial descarbonizar. “Nós somos todos seres vivos. Não estamos no topo da pirâmide. Se se tal for verdade, temos a responsabilidade de manter o sistema vivo”. E acrescentou: “somos uma pecinha de um sistema que vive há muitos anos”.

    A diretora assinalou que todas as economias dependem dos recursos naturais, mas que quando promovemos o sequestro de carbono devemos estar atentos para o fenómeno do greenwashing, ou seja, quando as empresas se apropriam de uma narrativa sustentável para fins comerciais. Mas, acima de tudo, é importante “garantir que não perdemos solos, biodiversidade e que protegemos as florestas tropicais”.

    Pedro Garrett, cofundador da 2adapt, empresa serviços de adaptação climática, consegue prever onde e quando irão surgir inundações e com que intensidade.

    Prever riscos com TI

    Pedro Garrett, cofundador da 2adapt, empresa serviços de adaptação climática, prevê, em algumas ocasiões, inundações com três dias de antecedência. “E, se pudéssemos olhar para o passado e para o futuro, e calcular com 3 dias de antecedência antes do risco acontecer?”

    A sua empresa de TI é capaz de, a cada hora, recalcular riscos, e, com 3 dias de estudos consegue reunir informação que aponta com precisão onde, quando e com que intensidade irá surgir uma inundação. Esta informação demonstrou-se uma mais-valia para instituições que prestaram apoio e suporte, bem como salvamentos, em situações críticas. “Como cidadãos, somos também agentes de monitorização de riscos”, apontou.

    Preparação para o grande incêndio

    Domingos Xavier Viegas, Presidente da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial e Diretor do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais afirmou que “existe a expectativa que as seguradoras se envolvam [nos riscos naturais] de forma mais profunda“.

    O professor defende a existência de “um seguro que fosse partilhado entre pessoas e Estado“, e faz um alerta: “um incêndio como o de Pedrógão Grande pode vir a acontecer. Vamos preparar-nos para o grande incêndio. Cada país tem de se preparar para o seu”. A seu ver, a partilha de responsabilidades é solução, mas lamenta não haver quaisquer incentivos em Portugal. Pede a intervenção das seguradoras para “motivar”.

    Edifícios sismoresistentes também vão sofrer danos

    Já Luís Guerreiro, Professor Associado do Departamento de Engenharia Civil, Arquitectura e Georrecursos do Instituto Superior Técnico, da Universidade Técnica de Lisboa acredita que “o problema é a falta de controlo de qualidade“. Porque as informações são claras e “o conhecimento existe”. Lembra que, na área em que exerce, “a ideia é que os edifícios fiquem de pé, e que as pessoas possam sair em segurança. Os edifícios terão certamente danos” no caso de um sismo forte em Portugal.

    A cobertura de seguros é baixíssima“, repetiu o engenheiro, que também defende a “necessidade de alertar a sociedade”. Deixou um desafio para o setor segurador: para que se torne mais barato segurar um edificio bem feito do que um edifício mal feito“.

  • 5 coisas que vão marcar o dia

    Esta sexta-feira, Portugal fortalece a sua relação com Marrocos e a comissária para a Energia Kadri Simson termina a sua visita oficial a Portugal e participa no Fórum de Sustentabilidade e Sociedade, com vista a dinamizar o setor energético português. O Tribunal de Contas europeu avalia a eficiência do Banco Central Europeu (BCE), os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE encontram-se para debater questões atuais de política externa e de segurança e o G7 prossegue reuniões de ministros das Finanças e governadores de Bancos Centrais no Japão.

    XIV Reunião de Alto Nível Portugal-Marrocos

    Presidida pelo primeiro-ministro, António Costa, e pelo chefe do Governo marroquino, Aziz Akhannouch, o encontro visa aprofundar as relações bilaterais, reunindo vários membros dos Governos dos dois países. Centrado nas áreas do conhecimento, coesão social e desenvolvimento económico, o encontro incidirá sobre temas como a interconexão elétrica e a mobilidade laboral. São ainda assinados vários instrumentos jurídicos de reforço do relacionamento bilateral e, no mesmo dia, realiza-se um Fórum Económico. A reunião conta com a participação do ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, do ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro e da secretária de Estado da Conservação da Energia e Clima, Ana Fontoura.

    Kadri Simson, comissária para a Energia, termina visita a Portugal

    A comissária Europeia responsável pela Energia, Kadri Simson, termina uma visita oficial a Portugal, durante a qual participa no Fórum da Sustentabilidade e Sociedade e mantém encontros com deputados e com vários responsáveis e atores do setor energético português. O programa inclui uma audição conjunta com as comissões parlamentares dos Assuntos Europeus e do Ambiente e Energia da Assembleia da República e uma mesa redonda com representantes do setor energético, organizada pela Agência Nacional de Energia, subordinada ao tema “Mercado interno da energia – a implementação dos objetivos do REPowerEU”.

    Tribunal de Contas Europeu publica relatório

    O documento “Supervisão do risco de crédito dos bancos pela União Europeia”, da responsabilidade do Tribunal de Contas (TC) avalia a eficiência do Banco Central Europeu (BCE) na sua supervisão dos riscos de crédito nos grandes bancos da União Europeia (UE) e na resolução dos empréstimos problemáticos concedidos por estes bancos no passado.

    G7: Prossegue reunião de ministros das Finanças e governadores de Bancos Centrais

    O grupo dos sete países considerados mais industrializados, constituído pela Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão (que assegura a presidência em 2023) e Reino Unido e União Europeia junta-se no Japão. A reunião é presidida pelo ministro das Finanças japonês, Shunichi Suzuki, e pelo governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda.

    Reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros

    Decorre a reunião dos ministros dos Estados-membros da União Europeia (UE) responsáveis pelos Negócios Estrangeiros, no âmbito da Presidência Sueca do Conselho da UE, presidida por Josep Borrell, alto representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros sueco, Tobias Billström, como anfitrião. Os ministros debatem questões atuais de política externa e de segurança; o conflito na Ucrânia e o reforço do diálogo com países terceiros sobre as consequências globais da guerra. Realizam ainda um debate estratégico sobre as relações UE-China. Portugal está representado pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Francisco André.